Visita a Israel testa promessas de Trump

Michael Knigge

  • Amir Cohen/ Reuters

    A partir da esquerda: o presidente de Israel Reuven Rivlin, o presidente dos EUA Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, no aeroporto de Tel Aviv

    A partir da esquerda: o presidente de Israel Reuven Rivlin, o presidente dos EUA Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, no aeroporto de Tel Aviv

Presidente dos EUA, que se afirma um hábil negociador, fez promessas ousadas relacionadas no campo minado do Oriente Médio, como alcançar um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

Para alguém que afirma ser um hábil negociador, o Oriente Médio, e particularmente Israel, apresenta alguns dos nós mais difíceis de desatar, nas questões globais. Por isso não foi tão surpreendente assim Donald Trump, presidente dos EUA e autor do livro A arte da negociação, ter aproveitado a oportunidade de adentrar o campo minado que é a política do Oriente Médio.

Com a primeira visita presidencial de Trump a Israel, vale conferir duas promessas suas a respeito do país e do Oriente Médio, que agora ele terá de confrontar, assim como um terceiro tópico, não planejado.

Divulgação de inteligência secreta

A relatada divulgação de informações confidenciais provenientes de Israel pelo presidente Trump na Casa Branca durante uma visita no ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo nos EUA, Serguei Kislyak, provavelmente não consta da agenda oficial do encontro de Trump com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

No entanto, seria bastante inusual esse incidente – extremamente sensível para ambos os lados – não ser abordado em absoluto durante a visita de Trump.

"Acredito que o caso mais recente envolvendo materiais de inteligência divulgados a terceiros vai afetar um pouco o relacionamento, pois está além do relacionamento regular entre as duas comunidades parceiras e infringe a tradição nesse campo", analisa Gilead Sher, que serviu como chefe de gabinete do ex-premiê e ex-ministro da Defesa israelense Ehud Barak.

Por isso, devido à natureza sensível da questão, "provavelmente será discutida e esclarecida longe das câmeras, e não como parte da visita oficial, mas entre os líderes, a portas fechadas, e acredito que acabará sendo resolvida de forma satisfatória para ambas as partes", deduz Sher.

A questão da embaixada dos EUA

Durante sua campanha presidencial, Trump prometeu repetidamente realocar a embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, cidade que Israel considera sua capital. Os palestinos, que também reivindicam a cidade como uma futura capital de um Estado palestino, se opõem, assim como a Jordânia e outros países árabes.

Todos os presidentes americanos têm seguido a mesma linha tênue desde 1995, quando o Congresso americano aprovou uma diretriz para que o país reconheça Jerusalém como capital de Israel e mude sua embaixada para a cidade sagrada. Desde então, têm assinado derrogações adiando a transferência a cada seis meses, por motivos de segurança nacional. E aparentemente Trump deve se juntar a seus antecessores, fazendo o mesmo.

"Muita gente acha que a promessa de campanha de transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém por enquanto tem sido, no mínimo, colocada em segundo plano", disse Michele Dunne, diretora para o Oriente Médio do fundo Carnegie Endowment for Internacional Peace. "Então, é improvável que isso aconteça. Mas ele ainda pode dizer ou fazer coisas que de algum jeito reconheçam Jerusalém como a capital de Israel."

Processo de paz israelo-palestino

Apesar da expectativa que Trump retroceda em sua promessa de campanha de realocar a embaixada dos EUA, não se espera que ele abra mão daquela que foi, possivelmente, sua promessa mais ousada: alcançar um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

Pelo contrário. No início de maio, durante uma reunião na Casa Branca com o líder palestino Mahmoud Abbas, Trump aparentemente reforçou sua promessa de campanha quanto a um acordo de paz, ao afirmar: "Vamos fazer". "Trump quer anunciar ou presidir o reinício das negociações de paz entre israelenses e palestinos", afirmou à DW, via e-mail, Josh Saidoff, do Centro de Desenvolvimento do Oriente Médio da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles.

Desde as observações durante a visita de Abbas, e especialmente após o anúncio da ida de Trump a Israel, em sua primeira viagem internacional menos de quatro meses depois de tomar posse – seus antecessores Barack Obama e George W. Bush só visitaram o país em seus segundos mandatos – tem-se especulado se Trump usaria a viagem para relançar oficialmente a estagnada iniciativa dos EUA de mediar um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

"De uma perspectiva israelense, se eu vir um processo com envolvimento presidencial americano concreto começar ao fim desta visita, eu falaria de um sucesso para todas as partes envolvidas", diz Sher, que também serviu como negociador-chefe israelense na cúpula de Camp David e nas conversações de paz com os palestinos em Taba, Egito.

Porém Sher ressalva que só consideraria sério um novo esforço de paz dos EUA se ele fosse além de uma simples reunião isolada. Questionado se acredita que Trump esteja ciente dos desafios de negociar um acordo de paz e seja capaz de superá-los, Sher disse esperar sinceramente que sim.

"Acho que o presidente Trump está bem posicionado para viabilizar um esforço liderado pelos EUA para esse objetivo, uma vez que a solução de 'dois Estados para dois povos' é articulada de forma vinculativa e contínua."

Já Dunne se mostra mais cética: "Não há indícios de que exista qualquer tipo de estratégia ou abordagem bem estruturada para o processo de paz no Oriente Médio. Eles ainda estão no modo de exploração", avalia a especialista do Fundo Carnegie para Paz Internacional.

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