China apoia produção energética em usinas nucleares

Thomas Latschan, Hans Spross (md)

Após os EUA se despedirem do Acordo de Paris para proteção climática, Pequim se apresenta como vanguarda da luta contra o aquecimento global. País asiático, entretanto, investe em reatores atômicos."O céu acima de nós vai ficar azul de novo", prometeu o premiê chinês, Li Keqiang, aos delegados do Congresso Nacional do Povo em março deste ano. Para chegar a esse objetivo, a China investiu em energia renovável mais do que qualquer outro país. Mas ao mesmo tempo também amplia fortemente a produção de energia nuclear. Cerca de um quarto da geração de eletricidade da China em 2016 veio de fontes renováveis, cerca de 3,4%, de usinas termonucleares, cerca de dois terços, de carvão. Em 2016, a China aumentou a capacidade instalada das usinas nucleares em torno de oito gigawatts, para 34 gigawatts, o maior aumento no uso de energia nuclear já ocorrido. E que deve continuar. Segundo citação do China Daily – jornal do partido comunista em língua inglesa – o presidente da China General Nuclear Power Corporation, He Yu, teria estimado a capacidade nuclear chinesa até 2030 em pelo menos 130 gigawatts. Segundo He, tal é necessário para atender aos planos do premiê Li Keqiang de reduzir as emissões, e de quatro a seis novos reatores deverão ser acionados anualmente. Com isso, He Yu reforçou a meta adotada pelo Congresso Nacional do Povo em 2016, de ter 110 usinas nucleares operando na China. Preocupações com segurança Novos reatores produzidos na China deverão ser acionados não só no país como também nos estados vizinhos, ao longo da chamada Rota da Seda, pela Ásia Central e Paquistão. Mesmo no Reino Unido, a China quer construir um reator de "terceira geração", segundo o modelo do Reator Pressurizado Europeu (EPR, na sigla em inglês). Este reator do tipo Hualong 1 não seria, segundo Pequim, apenas seguro, mas também internacionalmente competitivo. Após o desastre na usina nuclear Fukushima 1, em que quatro de seis reatores foram destruídos, o governo da China havia suspendido a construção de novas usinas de energia nuclear. Ao mesmo tempo, foram adotadas políticas de segurança mais abrangentes. Mas no outono de 2012, a liderança em Pequim reativou o programa nuclear, implementando desde então um projeto nuclear ainda mais ambicioso. O especialista nuclear do Greenpeace Heinz Smital se diz especialmente preocupado com a velocidade em que os reatores devem ser construídos, pois "a autoridade de segurança chinesa não tem capacidade para examinar as construções adequadamente". Segundo ele, a pressa com que o programa nuclear é realizado "contém um grande risco de segurança". Fome energética na Índia A economia da Índia cresce cerca de 6% ao ano, mas seu sistema de fornecimento de energia obsoleto inibe o desenvolvimento econômico. Grandes partes do país sofrem com falta de energia e infraestruturas obsoletas. Como na China, a energia renovável deve ser reforçada, mas as elites políticas da Índia o país estão convencidas de que o país deve recorrer a todas as possibilidades de geração de energia, incluindo a energia nuclear. Em maio, o governo aprovou planos para construir dez novos reatores de modelo indiano, baseados no modelo europeu EPR, a exemplo do Hualong 1 chinês. A Índia também fechou acordos nucleares civis na década passada, entre outros, com Estados Unidos, Canadá, França e Rússia. Em março de 2016, 21 usinas nucleares desses projetos já estavam em operação. Duas delas ficam em Kudankulam e Kalpakkam, na costa sudeste do país, áreas consideradas de risco de tsunami. Em Kalpakkam, um tsunami causou grandes danos em dezembro de 2004, mas os operadores garantem que a usina nuclear não foi danificada. Paquistão: usinas em áreas de terremoto e inundação O vizinho da Índia também luta com a escassez de energia e infraestrutura obsoleta. O país tem atualmente quatro reatores menores em operação. A usina a oeste de Karachi é uma das mais antigas do mundo e está localizada em uma área propensa a enchentes. Os outros três reatores (Chashma 1, 2 e 3) estão cerca de 300 quilômetros ao sul de Islamabad, numa zona sísmica. Em ambos os locais, o governo planeja a construção de mais reatores. Ao todo, as autoridades paquistanesas de energia atômica preveem a construção de sete novos reatores até 2030, com ajuda exclusivamente chinesa. No âmbito do corredor econômico sino-paquistês, entretanto, a expansão da energia a carvão tem prioridade. Coreia do Sul: expansão, apesar de escândalo Segundo dados de março de 2016, a Coreia do Sul possui 25 usinas nucleares em operação, três estão em construção, e mais duas deverão vir até 2029. A participação da energia nuclear na produção total de eletricidade deve aumentar dos atuais 30% para 40%. Entretanto a população está cada vez mais cética – não somente devido ao acidente japonês de 2011. Em 2012 e 2013, um escândalo envolvendo certificados de segurança falsos sacudiu o lobby nuclear da Coreia do Sul. A estatal Korea Hydro and Nuclear Power (KHNP) permitiu que milhares de pequenos componentes com falsos certificados fossem instalados nas usinas nucleares no país. Então, foi revelado que uma grande quantidade de propinas foi distribuída entre funcionários da KHNP, empreiteiras e políticos. A mídia coreana afirmou haver uma "máfia nuclear". Tudo isso fez com que a popularidade da energia nuclear fosse pelo ralo – de 70% de aprovação antes do desastre de Fukushima para apenas 35%. Apesar de tudo, Seul mantém seus planos de expansão da energia nuclear. Sudeste Asiático: planos nucleares na gaveta Em outros países do Sudeste Asiático, a adoção da energia nuclear é controversa. O Vietnã quer construir oito centrais nucleares com ajuda russa. No entanto, a decisão final vem sendo adiada repetidamente. A Tailândia planeja construir cinco reatores. Malásia e Filipinas querem construir, cada uma, uma usina. Entretanto, não há previsão de implementação desses planos. "Aqui, vai ser muito difícil realmente encontrar investidores dispostos a alocar bilhões com essa incerteza se em algum lugar do mundo não ocorrerá um outro acidente", diz o especialista nuclear do Greenpeace Heinz Smital. "A espiral de custos nas usinas nucleares só pode subir, enquanto ela vai caindo para as energias renováveis. Por isso, usinas nucleares mal conseguem ser financiadas no mercado."

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