Países árabes cortam relações com o Catar

Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Egito e Iêmen decidem fechar fronteiras e interromper voos à península no Golfo sob a acusação de que país apoia o terrorismo. Isolamento gera sério impacto econômico.Os governos da Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Egito e Iêmen decidiram romper relações diplomáticas com o Catar nesta segunda-feira (05/06) alegando que o país apoia o terrorismo. O isolamento do país do Golfo terá sério impacto na economia. Apó o anúncio, as ações do país no mercado internacional caíram cerca de 7%. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), composto por Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã, Bahrein e Arábia Saudita, culpa o Catar de "minar a estabilidade" e de não cumprir os acordos feitos com os outros países. O Egito acusa o governo do Catar de "apoiar operações terroristas no Sinai e de intervir nos assuntos internos do Egito e dos países da região". Cairo deu 48 horas ao ao enviado do país ao Catar retornar ao Egito. Os voos entre o Catar e o Egito serão suspensos nesta terça-feira, anunciou o Ministério da Aviação Civil egípcio. A Arábia Saudita decidiu fechar todos os portos terrestres, marítimos e aéreos que ligam o país ao Catar, por "incitar o abandono do estado, pôr em perigo a sua soberania e a adoção de organizações terroristas (...), entre elas Irmãos Muçulmanos, 'Estado Islâmico' e Al Qaeda". Aviões do Catar estão impedidos de cruzar o espaço aéreo da Arábia Saudita. Segundo a agência oficial de notícias WAM, os Emirados Árabes Unidos reiteraram compromisso com os países do Golfo e acusaram o Catar de "minar a segurança na região". O governo do Bahrein acusou o Catar de financiar o terrorismo e de apoiar o Irã, com quem o Bahrein cortou relações diplomáticas em janeiro de 2016 devido a um ataque à embaixada saudita em Teerã. O governo da Arábia Saudita também acusa o Irã de dar suporte a grupos terroristas na província de maioria xiita saudita de Qatif e a rebeldes houtis do Iêmen. Os países ordenaram que seus cidadãos deixem o Catar e deram 14 dias para cidadãos do Catar retornarem à península. O Catar abriga uma das maiores bases militares dos Estados Unidos e abriga 10 mil soldados americanos. Catar: decisão se fundamenta em calúnias O Ministério de Assuntos Exteriores do Catar reagiu dizendo que a decisão se fundamenta em "calúnias" e que "não se sustenta sobre nenhuma evidência". O governo do país reiterou que é um membro ativo do conselho e que "respeita a soberania de outros países e não intervém em assuntos internos", além de "cumprir seu dever na luta contra o terrorismo e o extremismo". O governo do Catar ressaltou que os cidadãos do país não serão afetados pela decisão. Nesta segunda, a companhia aérea Qatar Airways suspendeu até a meia-noite todos os voos para a Arábia Saudita, após a ruptura de relações e o fechamento das fronteiras entre os dois países. A decisão gerou efeito-cascata, com muitos outros países decidindo romper relações com o Catar. O governo das Ilhas Maldivas alega que a decisão é necessária devido à "firme oposição" do país contra "atividades que fomentam o terrorismo e o extremismo", diz uma nota do Ministério das Relações Exteriores do arquipélago. O governo líbio em Bayda, sob o controle do general Khalifa Haftar, também decidiu rompeu relações com o Catar. Haftar comanda o chamado Exército Nacional Líbio (LNA) com apoio do Egito, Emirados Árabes e Rússia. Haftar também controla a política do Parlamento, a única instituição que mantém a legitimidade plena da comunidade internacional, e não reconhece o governo rival em Trípoli, dirigido por Fayez al-Sarraj e apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, lamentou o posicionamnto dos países árabes contra o Catar e pediu que o conflito seja solucionado por meio do diálogo. "É um fato que entristece a todos. Consideramos a unidade na região do Golfo (pérsico) como nossa própria unidade e a apoiamos", disse o chefe da diplomacia turca. A Turquia mantém boas relações com o Catar e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, visitou o país em fevereiro. Os dois países apoiam a Irmandade Muçulmana egípcia – perseguidos desde julho de 2013 pelas autoridades do Cairo –, e na oposição ao regime sírio de Bashar al-Assad. A Fifa informou que está em contato regular com o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo no Catar em 2022 , mas ainda não se posicionou sobre a atual situação de isolamento do Catar. KG/efe/rtr

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