Polícia londrina sob pressão após supostas falhas

Forças de segurança sofrem críticas por não ter agido contra autor de atentado que apareceu em documentário televisivo sobre extremistas britânicos. Terceiro suspeito de ataque é identificado.A polícia britânica tem sido alvo de críticas por não ter conseguido impedir um extremista conhecido das autoridades – inclusive com aparição na televisão – de executar um ataque terrorista em Londres no último fim de semana, que resultou na morte de sete pessoas. Nesta terça-feira (06/06), líderes políticos continuaram a questionar por que as autoridades não conseguiram deter Khuram Shazad Butt, um dos três suspeitos do atentado de sábado. A polícia anunciou que ele era conhecido pelos serviços de segurança e pelo MI5, a agência de espionagem doméstica do Reino Unido. Leia mais: O que se sabe sobre o ataque em Londres "Essas perguntas não estão sendo feitas sem motivo. Estou certo de que a polícia examinará do que ela tinha conhecimento, o que ela poderia ter feito, o que efetivamente fez e se algo poderia ter sido feito de forma diferente", disse o prefeito de Londres, Sadiq Khan. As autoridades não explicaram como Butt, um cidadão britânico nascido no Paquistão, chamou a atenção dos agentes da lei, mas a imprensa local divulgou que o suspeito apareceu em 2016 num documentário da emissora Channel 4 sobre extremistas britânicos intitulado The Jihadis Next Door (Os Jihadistas na Porta ao Lado, em tradução livre). "O que precisamos fazer é garantir que façamos essas perguntas e que a polícia e os serviços de segurança reajam e respondam às perguntas legítimas que todos nós estamos nos fazendo", acrescentou Khan. A polícia disse que apesar de Butt ter sido conhecido pelas autoridades, "não havia inteligência que sugerisse que esse ataque estava sendo planejado e a investigação foi priorizada de acordo". "Peço que qualquer pessoa com informações sobre esses homens, seus movimentos nos dias e nas horas antes do ataque e os lugares que frequentavam se apresente à polícia", disse o chefe da polícia nacional antiterrorista, Mark Rowley, em comunicado. "Paralelamente, o MI5 e a polícia conduzem cerca de 500 investigações ativas, envolvendo três mil objetos de interesse. Além disso, existem cerca de 20 mil indivíduos que foram alvos de interesse, cujo risco permanece sujeito a revisão pelo MI5 e seus parceiros", explicou Rowley. Ele afirmou que os serviços de segurança britânicos frustraram 18 atentados desde 2013, incluindo cinco nos últimos dois meses. Terceiro suspeito A polícia londrina identificou os três suspeitos. Além de Butt, de 27 anos, participou do ataque Rachid Redouane, de 30 anos e que detém as nacionalidades de Líbia e Marrocos. Nesta terça-feira, autoridades confirmaram relatos da imprensa italiana de que o terceiro agressor é Youssef Zaghba, um cidadão ítalo-marroquino de 22 anos. Butt e Redouane – que também usava o nome Rachid Elkhdar, sob qual estava listado com 25 anos de idade – eram do bairro multiétnico de Barking, no leste de Londres, onde a polícia realizou operações pouco depois dos ataques de sábado. Autoridades britânicas afirmaram que Zaghba não estava no radar policial ou da inteligência. O diário italiano Corriere della Sera publicou que Zaghba foi detido no aeroporto de Bolonha em 2016, quando tentava voar para a Síria, e que as autoridades italianas repassaram ao Reino Unido informações sobre seus movimentos. Na época, a polícia encontrou vídeos de propagando do grupo jihadista "Estado Islâmico" (EI) em seu smartphone, mas, após uma investigação, não conseguiu obter provas suficientes de vínculos com o terrorismo para processá-lo e ele foi libertado. Filho de mãe italiana e pai marroquino, Zaghba nasceu na cidade marroquina de Fez em 1995 e detém ambas as nacionalidades. Os três suspeitos foram mortos a tiros pela polícia poucos minutos após o ataque, que começou com eles atropelando pedestres com uma van na ponte London Bridge. A seguir, os homens saíram do veículo munidos de facas e esfaquearam pessoas em bares e restaurantes nas proximidades. Sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, sendo que 36 pessoas ainda estão em tratamento em hospitais, algumas em estado grave. Pedidos por renúncia de May O mais recente ataque em solo britânico ocorreu poucos dias antes das eleições parlamentares previstas para quinta-feira. A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, tem sofrido ataques de seu principal adversário político e de alguns setores da mídia por cortes à força policial que ela fez durante seu tempo como ministra do Interior. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, expressou apoio àqueles que pedem a renúncia de May devido ao seu papel na redução do quadro policial, mas ele afirmou que o melhor remédio seria tirá-la do cargo por meio do voto. "Há uma eleição na quinta-feira, essa é a chance", disse, citando um corte "assustador" nos departamentos policiais. "Estamos pedindo uma restauração dos números da polícia, e há reivindicações para que ela saia por causa do que fez aos números da polícia." A premiê, porém, retrucou, afirmando que Corbyn não é capaz de proteger a segurança do Reino Unido num momento de maior ameaça. "Demos maiores poderes à polícia para podermos lidar com terroristas – poderes a que Jeremy Corbyn sempre se opôs", afirmou. O prefeito de Londres, que é membro do Partido Trabalhista, por sua vez, reforçou a tese da oposição. "É apenas um fato que, nos últimos sete anos, nós, como cidade, perdemos 600 milhões de libras em nosso orçamento. Tivemos que fechar estações policiais, vender edifícios e perdemos milhares de agentes." PV/afp/rtr/ap

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