Ex-chefe do FBI diz que Trump mentiu sobre sua demissão

Em depoimento a comissão do Senado, James Comey afirma que o real motivo de seu afastamento do cargo foi o fato de ele estar investigando envolvimento russo nas eleições americanas, tema espinhoso para a Casa Branca.No início do depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado americano, o ex-diretor do FBI James Comey acusou nesta quinta-feira (08/06) a Casa Branca de mentir em relação aos motivos de sua demissão e de difamá-lo após a decisão. O ex-diretor afirmou ter ficado surpreso e confuso com a decisão do presidente Donald Trump de afastá-lo do FBI no início de maio. "O governo escolheu me difamar e, de maneira muito mais grave, [difamar] o FBI, ao dizer que a organização estava afundada no caos e que seus funcionários tinham perdido a confiança no seu diretor. Puras e simples mentiras", ressaltou. As declarações são uma resposta direta de Comey a Trump, que justificou a demissão acusando o ex-diretor de ter afundado a agência no caos e de ter perdido a confiança dos funcionários de menor escalão. O ex-diretor afirmou que acredita que sua demissão ocorreu devido à forma como comandava a investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016 e pela pressão do caso sobre Trump. Após o anúncio da demissão, o presidente chegou a reconhecer que pesou na decisão o papel que Comey exercia neste inquérito. O ex-diretor do FBI disse ainda que o republicano poderia "estar frustrado" porque a investigação envolvendo a Rússia tomava muito tempo e energia da esfera pública. Comey apontou ainda contradições no discurso de Trump sobre a demissão. O afastamento do ex-diretor complicou a situação do presidente, surpreendendo democratas e republicanos. A demissão levantou questões sobre os motivos de Trump. Sob o comando do diretor, o FBI iniciou uma investigação sobre as eventuais conexões entre a Rússia e pessoas ligadas à campanha do republicano. Ordens de Trump? Uma das questões levantadas pelos parlamentares foi a suposta pressão de Trump para encerrar a investigação. Num documento enviado ao Senado, Comey afirmou que o presidente lhe pressionou para abandonar o inquérito sobre as ligações do ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn com a Rússia. Ao ser questionado sobre essa pressão pelo presidente do comitê, Richard Burr, o ex-diretor afirmou que não houve uma ordem explícita para parar a investigação, mas sim uma instrução nesse sentido. Diante os parlamentares, Comey se recusou a afirmar que as ordens do presidente se configuram como obstrução à Justiça, apesar de considerá-las "perturbadoras e preocupantes". Além da suposta instrução em relação ao caso de Flynn, Trump teria exigido lealdade do ex-diretor, durante um jantar que ocorreu dias depois da posse do republicano. Comey deixou nas mãos do procurador especial para a investigação da possível interferência da Rússia nas eleições de 2016, Robert Mueller, determinar se Trump cometeu alguma ilegalidade em ambos os episódios. "Não me cabe determinar se o presidente estava tentando obstruir a Justiça. Tenho certeza que Mueller está investigando a atitude do presidente nesse sentido", acrescentou. O delito de obstrução à Justiça pode ser usado para abrir um processo de impeachment de Trump, algo que já é defendido por alguns congressistas e senadores da oposição democrata. Documentação de encontros Aos parlamentares, Comey explicou ainda os motivos que o levaram a documentar os encontros que teve a sós com Trump. No documento de sete páginas que enviou ao Senado, o ex-diretor revela detalhes destas reuniões. "Estava honestamente preocupado pelo fato de que ele pudesse mentir sobre a natureza de nossos encontros", disse. "Sabia que poderia chegar ao dia no qual pudesse precisar de um registro do que ocorreu não só para me defender, mas também para defender o FBI", completou Comey. O ex-diretor disse também que só se reuniu com o ex-presidente Barack Obama em três ocasiões nos oito anos que o democrata ficou no cargo e que nunca sentiu necessidade de registrar seus encontros com ele. Da mesma forma, Comey não documentou as reuniões que realizou com o ex-presidente George W.Bush quando era um funcionário do alto escalão do Departamento de Justiça. O ex-diretor falou também sobre os ataques cibernéticos que ocorreram durante a campanha eleitoral. Comey disse que o FBI não tem "nenhuma dúvida" de que a Rússia foi responsável pelos ataques de hackers ao Partido Democrata para prejudicar Hillary Clinton. CN/efe/lusa/rtr/ap

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