Revés eleitoral para May

Convocadas justamente para elevar apoio parlamentar à premiê, eleições antecipadas têm efeito inverso: conservadores perdem espaço, pondo em dúvida viabilidade do atual governo e adicionando incerteza ao Brexit.Foi de fato um revés. Apesar de ter ficado à frente nas eleições gerais desta quinta-feira (08/06), o Partido Conservador, da primeira-ministra britânica, Theresa May, perdeu a maioria absoluta no Parlamento. O resultado gera incerteza sobre a continuidade de seu governo, a menos de duas semanas do início das negociações do Brexit. May convocou eleições antecipadas em 18 de abril para elevar a maioria conservadora no Parlamento e facilitar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o Brexit. Na época, os conservadores tinham largos 20 pontos de vantagem sobre os trabalhistas, mas perderam votos ao longo da campanha. O principal objetivo de May caiu por terra. Os conservadores não conseguiram alcançar os 326 assentos necessários para formar uma maioria na Câmara dos Comuns. O partido de May ficou com 315, contra 261 do Partido Trabalhista. Na contagem final, os conservadores perderam 12 cadeiras, e a legenda de Jeremy Corbyn, principal rival de May nas eleições, ganhou 29 em relação à última eleição, de 2015. Na distribuição final, o Partido Nacionalista Escocês (SNP) alcançou 35 cadeiras, os liberais democratas, 12, e o Partido Unionista Democrático, da Irlanda do Norte, ficou com 10 assentos. O Reino Unido tem, agora, o que se conhece como um Parlamento "pendurado", em que nenhuma formação obteve a maioria absoluta e não poderá governar sozinho. Com isso, necessitará o apoio de outros partidos. Negociações O novo cenário lança ainda mais incerteza às negociações com a UE. O impasse político deve atrasar ainda mais o processo. May descarta renunciar. A corrida para formar coalizões começou na Câmara dos Comuns. O líder trabalhista Jeremy Corbyn afirmou que está "pronto para servir" o país e negociar acordos e pactos com outros partidos no Parlamento. Ele insistiu que May renuncie ao cargo. "A política não vai voltar para a caixa em que estava antes", afirmou. O negociador europeu sobre o Brexit, o francês Michel Barnier, disse que as negociações vão continuar. "As negociações do Brexit deveriam começar quando o Reino Unido estiver preparado", afirmou. "O cronograma e as posições da UE são claras. Vamos juntar esforços para obter um bom resultado." Já o negociador do Brexit na UE, Guy Verhofstadt, disse que o resultado deixa "as complexas negociações ainda mais complicadas". As eleições aconteceram em meio a fortes medidas de segurança após os recentes atentados no país. No último sábado, oito pessoas morreram e 48 ficaram feridas num ataque em Londres. Há duas semanas, a explosão de um homem-bomba deixou 22 mortos durante o show da cantora Ariana Grande, em Manchester. KG/dpa/rtr/efe/afp

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos