Opinião: Um enorme voto de confiança para Macron

Barbara Wesel

Jovem presidente francês e seu partido estão a caminho de uma maioria no Parlamento, empurrando os partidos tradicionais para os assentos traseiros. É uma revolução do cenário político da França, opina Barbara Wesel.Ao contrário do que aconteceu no Reino Unido, os pesquisadores franceses previram a tendência corretamente: o novo presidente da França, Emmanuel Macron, está prestes a conquistar uma maioria significativa, talvez até mesmo esmagadora, no Parlamento. Seu percurso de sucesso excede todas as expectativas. Nunca antes um homem e um partido feito sob medida para ele ascenderam tão rapidamente numa democracia ocidental. Os franceses tiveram exatas quatro semanas para observar seu jovem presidente no cargo. E ele demonstrou ter um instinto tão seguro e um poder de compreensão tão rápido como se tivesse décadas de experiência. É difícil acreditar que o novato político pôde agir como um vitorioso e de forma tão descontraída em apertos de mão com o presidente dos EUA, Donald Trump, e durante seu primeiro encontro com o chefe do Kremlin, Vladimir Putin. E a resposta de Macron no Twitter (onde mais seria?) ao presidente dos EUA depois de sua retirada do Acordo de Paris combinou perfeitamente com o clima na comunidade virtual: "Faça o nosso planeta grandioso novamente" – em alusão ao lema da campanha de Trump – logo viralizou. É preciso parabenizar o presidente por sua equipe de mídias sociais. Os franceses vêm observando Macron nas últimas semanas e gostam do que veem. Suas bem-sucedidas aparições internacionais deram origem a uma verdadeira Macromania. Os mercados financeiros apostam nele, assim como a chanceler federal alemã, e o povo francês lhe dá agora um enorme voto de confiança. Depois de viver uma espécie de lua de mel por devolver aos franceses um senso de glamour e significado após anos de lamúria sob o governo de François Hollande, Macron enfrenta agora o trabalho de verdade. Ele precisa, no mínimo, de alguns resultados rápidos, sobretudo movimento no mercado de trabalho. E ele precisa da ajuda do governo para afrouxar um pouco as amarras financeiras da zona do euro. Pois o que Macron pretende é nada menos do que uma completa reestruturação das enferrujadas estruturas francesas: impostos, educação, administração, Justiça, situação dos subúrbios – o presidente tem uma dúzia de desafios pela frente. Ele precisa mostrar que não é apenas charmoso e ágil ao lidar com seus homólogos internacionais, mas que tem longo fôlego, que não se deixa intimidar pelos sindicatos de esquerda e que leva seus planos até o fim. Nos próximos anos, a rotina política em Paris será menos gloriosa e preponderantemente dura e suja. No próximo domingo, Macron alcançará uma enorme vitória eleitoral no segundo turno – e só então começa a verdadeira batalha. À esquerda e à direita, os partidos tradicionais caem por terra como grama cortada. Os socialistas devem encolher de sua antiga maioria parlamentar para algumas dezenas de assentos. Isso é o que se chama de golpe devastador. Marine Le Pen e seu partido Frente Nacional receberam um banho de realidade: após a disparada da candidatura presidencial, agora não devem conseguir formar nem mesmo uma facção na Assembleia Nacional. Resta-lhes pouco além de gritar dos bancos traseiros. A extrema esquerda será reduzida a aproximadamente o mesmo número de assentos que sempre teve. Os grandes perdedores, no entanto, estão mais uma vez entre os conservadores: se há apenas quatro semanas eles ainda sonhavam com uma maioria parlamentar para colocar as rédeas em Macron e força-lo à coabitação, eis que são agora só o maior partido da oposição. Eles deverão mergulhar numa profunda crise de identidade. Essa revolução no cenário político francês é surpreendente e, de certa forma, um alívio: uma série de rostos novos irão aparecer, muitas mulheres, pessoas da comunidade empresarial e da sociedade civil. De fato, a França tem uma inclinação a uma pequena ou grande revolução a cada cem anos. Por um lado, esse exercício é uma batalha de libertação. Por outro, não é sem riscos. Macron tem agora de manter os pés no chão, ouvir, trabalhar duro e não se embriagar com seu próprio sucesso. Ele recebeu um enorme voto de confiança e agora precisa mostrar do que é capaz. A oposição é fraca e mal pode oferecer obstáculos. O tempo dirá o quão maduro e inteligente é o jovem presidente realmente é.

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