Polícia russa prende líder da oposição antes de protesto

Alexei Navalny é preso ao se dirigir a segunda grande manifestação que convocou neste ano contra corrupção no governo Putin. Dezenas de pessoas são detidas em Moscou e São Petersburgo.O líder opositor russo Alexei Navalny, organizador das manifestações contra a corrupção convocadas para esta segunda-feira (12/06) na Rússia, foi preso em Moscou, comunicou sua esposa. Navalny foi detido na porta de casa, quando se preparava para ir ao protesto. "Olá, sou Yulia Navalnaya. Felicitações a todos pela festa (Dia da Rússia). Alexei foi preso na porta de casa. Pediu-me para transmitir que os planos não mudaram: Tverskaya", escreveu a esposa, na conta de Twitter do opositor. Numa mensagem subsequente, ela postou uma imagem de Navalny sendo escoltado pela polícia local. No domingo à noite, Navalny mudou o lugar do protesto em Moscou da rua Sakharova, localizada na periferia da capital russa, para a rua Tverskaya, próxima ao Kremlin e onde estava agendada uma celebração do Dia da Rússia. A medida foi classificada como "uma provocação" pelas autoridades, que haviam autorizado o protesto na rua Sakharova. Navalny afirmou que as autoridades pressionaram as empresas a se recusarem a construir um palco no local acordado, bem como a fornecer equipamentos de som e imagem a sua equipe. Milhares de jovens russos adotaram o feriado patriótico do Dia da Rússia para manifestar contra a corrupção do governo e exercer pressão sobre o presidente do país, Vladimir Putin. Esta é a segunda onda de manifestações na Rússia, depois da de 26 de março, organizada por Navalny, que lidera uma campanha anticorrupção na internet. Na época, ele também foi detido e passou 15 dias na prisão. O principal público alvo desta campanha são adolescentes e estudantes que cresceram sem ter visto uma Rússia sem Putin no poder. A equipe em torno de Navalny divulgou esperar que entre 45 mil e 50 mil pessoas compareçam ao protesto em Moscou. Dezenas de detidos Relatos apontaram que cerca de 120 manifestantes foram detidos pela tropa de choque da polícia quando saíam de uma estação de metrô na praça Pushkin, no centro de Moscou. Outros 130 manifestantes foram presos em São Petersburgo, depois de terem executado um protesto não sancionado no Campo de Marte da cidade. Segundo a imprensa russa, cerca de três mil pessoas se juntaram em Novossibirsk, na Sibéria, e outras manifestações de menor dimensão ocorreram em Krasnoyask, Kazan, Tomsk, Vladivostok e outras cidades. Os protestos fazem parte da campanha anti-Putin de Navalny, que pretende concorrer à presidência russa no próximo ano. No entanto, pesquisas sugerem que Navalny possui poucas chances de vitória, caso seja autorizado a se candidatar. Uma condenação controversa por acusações de fraude provavelmente impedirá sua candidatura. Navalny tem sido uma maldição para o governo russo desde que ficou em segundo lugar na eleição para prefeito de Moscou em 2013, quando concorreu por uma plataforma anti-Putin. O sucesso cimentou seu lugar como principal líder da oposição. No entanto, a missão de Navalny de chegar ao Kremlin sofreu com repetidos recuos e obstáculos, incluindo repetidas agressões físicas. Em abril, ele precisou de tratamento médico depois que jogaram líquido cáustico verde em seu rosto – deixou Navalny com a visão permanentemente prejudicada. Apesar dos contratempos, Navalny prometeu continuar desafiando o governo. "Nós só podemos forçá-los a me registrar [como candidato]", disse a simpatizantes. "Está claro que Putin não quer sair para debater comigo." O Dia da Rússia é comemorado em 12 de junho em todo o país e lembra a independência em 1990, antes da dissolução oficial da União Soviética. É um feriado marcado por inúmeros eventos públicos, particularmente reconstituições históricas, assim como uma recepção oferecida por Putin no Kremlin. PV/lusa/dpa/rtr/afp

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