Intoxicação alimentar atinge centenas de refugiados no Iraque

Comida estragada resulta na morte de uma mulher e uma criança em acampamento perto de Mossul. Mais de 700 são hospitalizados. Emissora da Arábia Saudita acusa instituição de caridade do Catar de fornecer refeições.Uma mulher e uma criança morreram e centenas de pessoas adoeceram intoxicadas por ingerir comida estragada num acampamento para deslocados, cerca de 20 quilômetros ao leste da cidade de Mossul, no norte do Iraque. Mais de 700 pessoas foram hospitalizadas depois do iftar, refeição que os muçulmanos fazem durante a noite para quebrar o jejum do Ramadã, nesta segunda-feira (12/06), afirmou a ministra da Saúde do Iraque, Adila Hamoud. Muitas pessoas começaram a vomitar e algumas desmaiaram depois de comer arroz, frango, iogurte e sopa, comunicou o parlamentar iraquiano Zahed Khatoun, membro do comitê parlamentar para deslocados. Muitas das vítimas precisaram ser levadas a um hospital em Erbil, capital do Curdistão iraquiano. Segundo Hamoud, cerca de 300 pessoas permanecem em estado grave. "É trágico que isso tenha acontecido com pessoas que passaram por tanta coisa", disse Andrej Mahecic, da Acnur, a agência para refugiados da ONU, que administra o acampamento afetado e outros 12 na área devastada pela guerra. Muitos dos residentes do acampamento fugiram dos combates em torno de Mossul, quando as forças do governo iraquiano e seus aliados lançaram uma ofensiva para expulsar da cidade militantes da organização extremista "Estado Islâmico" (EI). Crise do Catar A intoxicação em massa se tornou o mais recente capítulo na crise que isolou o Catar do restantes países árabes. O legislador iraquiano Raad al-Dahlaki, que preside o comitê de imigração e deslocamentos do Parlamento, disse que a comida foi distribuída por uma instituição de caridade catariana denominada RAF. A instituição faz coletas de doações e trabalhos de caridade em todo o mundo, incluindo o fornecimento de refeições a famílias carentes durante o mês sagrado do Ramadã. Via Twitter, a emissora estatal da Arábia Saudita acusou a RAF de fornecer as refeições intoxicadas e publicou imagens que supostamente mostram crianças do acampamento "envenenadas pela organização terrorista catariana RAF". A ONG está entre as 12 organizações e 59 pessoas que foram colocadas por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein numa lista de entidades terroristas, na última sexta-feira. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) relatou que uma instituição de caridade do Catar pagou um restaurante local para fornecer a comida. "Não sei o nome do restaurante, mas é isso que nosso contato no local nos informou", disse o porta-voz da OIM, Joel Millman, em Genebra. Nem a RAF nem autoridades do Catar se pronunciaram a respeito das acusações. Numa entrevista coletiva mais tarde no acampamento, o chefe da polícia de Erbil, Abdulhaleq Talaat, disse que sete pessoas foram presas em conexão com o incidente. O acampamento afetado está localizado em al-Khazer, na estrada que liga Mossul e Erbil, e abriga 6.300 pessoas, de acordo com a Acnur. Cerca de 800 mil pessoas, mais de um terço da população de Mossul de antes da guerra, fugiram da cidade, buscando refúgio na casa de amigos e parentes ou em campos de refugiados. PV/ap/rtr/efe

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