Procurador-geral dos EUA nega conluio com russos

Em depoimento ao Senado, Jeff Sessions rechaça acusação de que fez contato com autoridades da Rússia durante processo eleitoral. Seu afastamento da investigação sobre Moscou e demissão de diretor do FBI também são temas.Em depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado, o procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, contestou nesta terça-feira (13/06) as acusações de que ele teria participado de um conluio com a Rússia para interferir nas eleições americanas em favor da campanha republicana. Confrontado pelos antigos colegas, o ex-senador do Alabama negou ter mantido reuniões secretas com o embaixador russo nos EUA, Serguei Kislyak, ou ter conversado com autoridades em Moscou sobre o processo eleitoral do ano passado, alegações que, segundo ele, são "falsas e difamatórias". "A sugestão de que eu estava ciente de qualquer conluio com o governo russo para prejudicar esse país, ao qual eu sirvo há 35 anos, ou para minar a integridade do nosso processo democrático é uma mentira espantosa e detestável", afirmou o procurador-geral em audiência pública. Sessions, que foi um conselheiro muito próximo do presidente Donald Trump durante a corrida à Casa Branca, declarou ainda que decidiu se afastar das investigações sobre a suposta ingerência russa nas eleições justamente por ter participado ativamente da campanha do republicano. "Muitos disseram que a razão para o meu afastamento foi porque me senti um alvo da investigação, porque talvez eu tenha feito algo errado. Mas [me afastei] porque senti que era minha obrigação, levando em conta os regulamentos do Departamento de Justiça", alegou. Apesar de tais declarações, Sessions só decidiu se desligar das investigações em 2 de março, depois de a imprensa americana afirmar que ele teria tido duas reuniões com o embaixador Kislyak durante a campanha presidencial. Em janeiro, durante sua audiência de confirmação ao cargo no Senado, ele não mencionou tais encontros. Nesta terça-feira, o procurador-geral voltou a se defender sobre o caso, negando ter mentido durante a audiência no início do ano quando questionado se alguém ligado à campanha republicana teria tido contato com russos. "A minha resposta foi justa e correta à pergunta, conforme eu a entendi", disse. Respostas a Comey Sessions ainda rebateu declarações feitas pelo ex-diretor do FBI, James Comey, em depoimento diante do mesmo comitê do Senado na semana passada. Comey, que foi demitido da polícia federal americana em maio, disse aos senadores que, depois de Trump tê-lo pressionado para encerrar uma investigação envolvendo o ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, o então diretor do FBI "implorou" a Sessions para que nunca mais fosse deixado sozinho com o presidente. Comey afirmou que o procurador lhe deixou sem respostas. "Ele não se lembra disso, mas eu respondi, sim, ao comentário dele, concordando que o FBI e o Departamento de Justiça precisavam tomar cuidado para seguir as políticas do departamento em relação aos contatos apropriados com a Casa Branca", disse Sessions. Sobre seu papel na demissão de Comey, o ex-senador afirmou ter tido, juntamente com seu vice, Rod Rosenstein, uma "clara visão de que havia um problema ali". "Meu julgamento foi de que um novo começo no FBI seria o mais apropriado a se fazer. Quando fui questionado, disse isso ao presidente." O afastamento repentino do então diretor do FBI levantou questões sobre as motivações de Trump. Foi sob o comando de Comey que a polícia federal iniciou sua investigação sobre uma possível ingerência russa nas eleições de 2016, bem como eventuais ligações entre Moscou e a campanha do candidato republicano. Em depoimento ao Comitê de Inteligência no Senado, que também investiga o caso, Comey disse acreditar que foi demitido por conta do inquérito sobre a Rússia. "Foi, de certa maneira, para mudar a forma como a investigação estava sendo conduzida", declarou o ex-diretor na quinta-feira passada. Em seguida à demissão de Comey e à decisão de Sessions de se afastar do inquérito, o Departamento de Justiça decidiu nomear um conselheiro especial para conduzir tais apurações, após repetidas solicitações da oposição para que a investigação fosse comandada por alguém não atrelado ao governo. O escolhido para a função foi Robert Mueller, também ex-chefe do FBI. Nesta terça-feira, perante o Senado, Sessions declarou apoio a Mueller, afirmando ter "confiança" no trabalho do ex-diretor da polícia federal à frente da polêmica investigação. A audiência marcou o primeiro depoimento público do procurador-geral americano desde que foi confirmado ao cargo em fevereiro. Ele, que vinha evitando falar no Congresso sobre as possíveis ligações entre Moscou e membros da campanha de Trump, aceitou participar da sessão após o depoimento de Comey. EK/ap/dpa/efe/lusa/ots

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