PSDB decide manter apoio ao governo Temer

Líderes tucanos negam que decisão tenha sido tomada por pressão do PMDB. Reale Junior, coautor do pedido de impeachment de Dilma, pede desfiliação do PSDB, que, segundo ele, "relativiza" questão ética.O presidente nacional interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), declarou na noite desta segunda-feira (12/06) que o partido segue na base de apoio ao governo do peemedebista Michel Temer, mas que serão feitas avaliações diárias dos cenários políticos. Líderes tucanos negaram que a decisão tenha sido tomada por pressão do PMDB e defenderam uma renovação partidária – uma ala quer o afastamento definitivo do senador Aécio Neves (MG). "Vamos avaliar diariamente. Todos os dias têm surgido fatos novos e vamos estar atentos", disse Jereissati ao final da reunião da executiva nacional, que começou no início da noite de segunda-feira, em Brasília, e durou mais de seis horas. Segundo o senador cearense, não houve deliberação do partido sobre a permanência no governo, mas a maioria da legenda entende que um eventual desembarque agora prejudicaria as reformas. "O partido está unido, mas tem divergências. O partido não tem dono, nem é autoritário. Quem é mais velho lembra que já tivemos crises, e no momento exato seguiremos unidos", disse. Prováveis candidatos à Presidência da República, em 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria, foram os que mais defenderam que o apoio ao governo de Temer fosse mantido. Alckmin defendeu também a antecipação da convenção nacional para trocar dirigentes, visando preparar o partido para eleição presidencial do próximo ano. O governador foi o porta-voz da ala que quer o afastamento definitivo de Aécio, da direção tucana, reiterando a necessidade de renovar o partido. "O governador defendeu eleições gerais o mais rápido possível. Argumentou que não é possível fazer eleição partidária no mesmo ano da eleição para presidente. [...] Para a direção nacional, o consenso é que o senador Jereissati é o melhor nome que temos", resumiu o ex-prefeito de Sorocaba Antônio Carlos Panunzzio. Jurista do impeachment de Dilma deixa PSDB Após a decisão do PSDB de manter o apoio ao governo Temer, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior pediu desfiliação do partido, divulgou o jornalista Gerson Camarotti, das organizações Globo. O jurista é um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Ao Blog do Camarotti, Reale Junior afirmou que não tem condições de ficar num partido que "relativiza" a questão ética. "Não me sinto confortável em ficar num partido que permanece no governo Temer mesmo depois de todos os fatos revelados. Não dá para relativizar a questão ética. Participei de momentos importantes do partido. Mas cansei de vacilações. Espero que o muro do PSDB seja bastante grande para que o partido se enterre nele", desabafou o jurista. Ele também criticou o partido pelo fato de ainda não ter recorrido da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeitou cassar a chapa Dilma-Temer. O pedido de cassação da chapa foi apresentado pelo PSDB, ainda em 2014. "O PSDB deveria ter recorrido dessa farsa", concluiu Reale Júnior ao Blog do Camarotti. Jereissati: recorrer sim, mas não agora Sobre o resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE, Jereissati defendeu que o partido recorra da decisão. Ele disse que os advogados do partido, no entanto, entendem ser melhor aguardar a publicação do acórdão e depois submeter a decisão à executiva. "Eu, como presidente [interino do PSDB], penso que devemos recorrer. O advogado quer esperar a publicação [do acórdão]. Vamos continuar no governo Temer, sem deixar de lado as nossas convicções. E eu estou convicto de que houve corrupção na eleição de 2014", afirmou. Questionado se essa posição não seria incoerente, o tucano reconheceu que sim, mas que prefere seguir suas convicções. "Com certeza há uma incoerência nisso, mas foi a história que nos impôs. Esse não é o meu governo, nem o governo dos meus sonhos. Não votei nele [Temer] nem nela [Dilma]. Estamos juntos para dar a estabilidade de que o país precisa. Estaria mais confortável com alguém do PSDB [na Presidência]." Sobre uma eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer, Jereissati disse que os deputados tucanos ficarão livres para votar. A Câmara é quem decide se autoriza a abertura do processo de investigação contra o presidente. "Vai ser uma decisão da Câmara, e cada deputado vai votar da maneira que quiser. Não existe nada de fechar questão em relação a isso. A bancada tem opiniões diferentes, vai ser um voto de consciência e não uma decisão partidária. Se tiver um acontecimento muito grave, a opinião vai ser diferente e vamos chamar a bancada e conversar sobre isso", garantiu. PV/abr/ots

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