1881: Primeiro catálogo telefônico alemão

Dirk Stroschein (sv)

No dia 14 de junho de 1881 foi publicada em Berlim a primeira lista telefônica da Alemanha. O catálogo continha poucos números particulares. A grande maioria era de telefones comerciais.Os primeiros nomes a constar deste primeiro catálogo dos "participantes da instituição de conversa à distância" não foram poupados do sarcasmo da opinião pública, que ria do "livro dos 94 tolos" e ironizava os que "se deixavam levar pelas bobagens vindas da América". Grande parte dos estabelecimentos comerciais da época considerava a inovação supérflua: "Nós temos um sistema de mensageiros bem extenso. Para que há de nos servir a conversa à distância?", perguntavam alguns. Mas nem todo o empresariado se mostrou tão cético em relação à novidade. A primeira edição da lista telefônica berlinense já contou com o registro de vários bancos, hotéis e lojas. Um dos primeiros a embarcar na modernidade de então foi o tradicionalíssimo confeiteiro Kranzler, que logo percebeu a duplicação de seu movimento depois dos novos pedidos por telefone. Logo, fazer parte da lista não era tolice alguma, como queria acreditar parte da população. No início, devido ao aumento constante no número de interessados, o catálogo de participantes era atualizado uma vez ao mês. Em 1889, havia dez mil aparelhos instalados e, em 1898, havia mais telefones em Berlim do que em toda a França. Quanto mais espaço o telefone tomava no cotidiano da cidade, mais urgente tornava-se a necessidade de aprender a lidar com o novo aparelho. Um manual de instruções acompanhava a invenção, explicando passo a passo como utilizar o "falador à distância". As ligações eram feitas, nesta fase inicial da telefonia, apenas por intermédio de uma central, que tornava possível o contato entre dois participantes da rede. Reflexos dos tempos Para facilitar a comunicação e evitar mal-entendidos, foi criado a partir de 1890 um código de nomes relativos às letras do alfabeto: partindo do A até o Z. As listas telefônicas, na década de 1930, refletiram os tempos antissemitas que viriam. Em 1933, o correio da cidade de Rostock recebeu a seguinte comunicação: "Frente às mudanças ocorridas na Alemanha, não creio ser oportuno manter nomes judeus em nosso código de letras. Suponho que estes possam ser substituídos por nomes alemães adequados." Ao referir-se à letra D, passou a ser necessária a explicação "D de Dora", no lugar de "D de Davi", e "S de Siegfried" substituiu "S de Samuel". A partir de 1939, passou-se a exigir que os judeus fossem registrados de maneira especial nas listas telefônicas. Os homens eram obrigados a carregar o pré-nome adicional "Israel" e as mulheres foram forçadas a acrescentar "Sara" a seus nomes. Durante a Segunda Guerra Mundial não foram publicadas listas telefônicas. Depois de 1945, era possível adquirir um catálogo telefônico apenas em troca do pagamento de oito quilos de papel. Em 1965, as listas ainda eram vendidas na Alemanha. Hoje, não é mais necessário pagar pelo livro telefônico (Telefonbuch) e qualquer cidadão pode recebê-lo em casa ou apanhá-lo nos correios.

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