Irônico, Putin oferece asilo a ex-chefe do FBI

Em tradicional programa de TV, líder russo comparou James Comey a Edward Snowden e disse estar disposto a dar-lhe asilo político. Ele também afirmou querer a normalização das relações com os EUA.O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (15/06) estar disposto a dar asilo politico ao ex-diretor do FBI James Comey, no caso de ele ser perseguido pela Justiça dos Estados Unidos. Putin fez afirmação, em tom irônico, ao responder perguntas de cidadãos russos durante um tradicional programa de televisão transmitido ao vivo. Ele disse considerar "muito estranho" que um diretor de uma agência de inteligência faça notas de conversas com o presidente Donald Trump e depois as vaze para o público. Putin comparou o caso de Comey com o do ex-agente Edward Snowden, ao qual a Rússia concedeu asilo em 2013, após ele ter revelado o sistema internacional de escutas dos serviços secretos dos EUA. "Qual a diferença entre o diretor do FBI e Snowden?", questionou. "Naquele caso, ele é menos diretor de um serviço de inteligência e mais um ativista de direitos civis advogando uma certa causa", argumentou. Em seu depoimento diante do Senado dos EUA na semana passada, Comey disse que "não há dúvida" de que a Rússia interferiu na eleição presidencial de novembro e disse que a ação teve origem dos mais altos escalões do Estado russo. "Não vemos EUA como inimigo" O presidente russo participa tradicionalmente do programa anual da televisão russa em que cidadãos fazem perguntas a ele sobre uma variedade de temas ao longo de várias horas. Putin também se mostrou disposto a buscar uma normalização das relações com os EUA. "Nós não vemos os EUA como um inimigo", assegurou, observando que sem uma cooperação construtiva com Washington não é possível, por exemplo, uma solução para o conflito na Síria. Ao mesmo tempo, o chefe do Kremlin criticou a posição hostil à Rússia dos meios de comunicação americanos. Durante o programa, Putin comentou, ainda, os protestos antigoverno realizados em toda a Rússia, os quais ele afirma que foram organizados pela oposição para "autopromoção". "Estou pronto para falar com todos que realmente tenham objetivo de tornar a vida das pessoas melhor e resolver os problemas que o país enfrenta", disse ele, acrescentando que alguns líderes da oposição estão "especulando" em cima de agitação ou tentando tirar proveito de tais problemas. Ele também comentou sobre seu possível sucessor. "Antes de tudo, eu ainda estou no cargo", ressaltou. "Em segundo lugar, claro que vou me decidir em algum momento e não teria problema em declarar minhas preferências [sobre um sucessor], afirmou. "Mas, acima de tudo, apenas os eleitores, os cidadãos russos, podem decidir quem vai governar sua região, cidade, estado ou país." MD/ap/afp/dpa/rtr

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