Opinião: A Copa das Confederações não está ultrapassada

Davis Van Opdorp

A Alemanha optou por não levar a sério o torneio e enviou um "time B" à Rússia. Não tem problema: grande parte do mundo, como Portugal de Cristiano Ronaldo, pensam diferente, opina o jornalista Davis Van Opdorp.Desde o início de 2014, a Alemanha jogou 46 partidas oficiais. Desde 2006, conseguiu chegar pelo menos à semifinal em toda Copa do Mundo e competição europeia. Compreensível, portanto, que a federação alemã (DFB) não esteja tão empolgada como os outros participantes com a Copa das Confederações. O técnico Joachin Löw convocou um time majoritariamente de reservas para o torneio. Mas se crescem os apelos para que a Copa das Confederações seja extinta, há uma coisa que seus detratores têm que ter em mente: o torneio não é apenas para eles. A Fifa faz muitas coisas erradas, mas a competição, pelo menos, tem sentido lógico: honra o campeão de cada confederação, ao lado do atual campeão mundial e da seleção do país-sede. Não é razoável colocar os campeões de cada continente uns contra os outros, para ver quem é melhor? Conceitualmente, isso, certamente, não é "obsoleto", palavra usada pelo presidente do DFB, Reinhard Grindel. A Copa das Confederações deu a países como Austrália, Japão, Camarões, México e Estados Unidos a chance de conquistar um troféu internacional. Nenhum desses países jamais passou das quartas de uma Copa do Mundo. Mas todos chegaram à final da Copa das Confederações – o México, inclusive, foi campeão. Sul-americanos e europeus, que dominam os Mundiais, podem não achar que vale a pena jogar o torneio, mas esse certamente não é o caso dos outros. A Nova Zelândia, por exemplo, representante da Oceania: sua única chance de jogar a Copa do Mundo é ser o melhor nas eliminatórias do continente e depois vencer uma repescagem intercontinental. A Copa das Confederações é uma das únicas oportunidades que os jogadores da Nova Zelândia têm de enfrentar jogadores de primeira linha em sua carreira – pelo menos com a camisa de sua seleção. Certamente vale a pena viajar metade do mundo para aproveitar isso. A Alemanha pode ter mandado um time B para a Rússia, mas pelo menos está mandando um. Desde que a Copa das Confederações se tornou um torneio Fifa, em 1997, a Alemanha se recusou duas vezes a participar – naquele ano e em 2003. França, em 1999, e Itália, em 2003, fizeram o mesmo. É compreensível que, em meio à expansão dos torneios da Uefa e da Fifa, a Alemanha opte por dar um descanso para suas estrelas. Löw diz que já sabia antecipadamente que usaria a Copa das Confederações para lapidar seus novos talentos. É uma forma inteligente de ver quais jogadores poderão estar na Copa do Mundo no ano que vem. Mas parece que todos os outros países estão levando o torneio a sério. Cristiano Ronaldo, que jogou as últimas três de quatro finais de Liga dos Campeões, vai representar Portugal. O Chile, que desbancou a Argentina nas Copas Américas de 2015 e 2016, também levará o que tem de melhor à Rússia. Se a Alemanha não quer levar a Copa das Confederações a sério, tudo bem: grande parte do resto do mundo pensa diferente.

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