Agência dos EUA divulga retrato financeiro dos negócios de Trump

Em relatório entregue de forma voluntária, presidente declara patrimônio de US$ 1,4 bilhão. Documento, que ainda não é declaração de imposto de renda, revela ainda receita de quase US$ 600 milhões entre 2016 e 2017.O Escritório de Ética Governamental americano (OGE, na sigla em inglês) divulgou nesta sexta-feira (16/06) um relatório que detalha a situação do império financeiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de janeiro de 2016 até o momento. O documento de 98 páginas foi entregue voluntariamente pelo mandatário. Não se trata ainda de uma declaração de imposto de renda – algo que Trump tem se negado a revelar desde que se candidatou à Casa Branca, quebrando a longa tradição entre candidatos e presidentes do país. De acordo com o novo relatório, o republicano declarou um patrimônio de 1,4 bilhão de dólares, além de uma renda de 594 milhões de dólares entre o início do ano passado até agora, sendo boa parte proveniente de sua rede de hotéis de luxo. O maior componente da receita veio do resort Trump National Doral, em Miami, somando quase 116 milhões de dólares. Também na Flórida, o resort em Mar-a-Lago, onde o presidente chegou a acolher vários dirigentes estrangeiros, melhorou suas finanças. As receitas chegaram a 37 milhões de dólares, 7 milhões a mais do que as registradas em 2016. Já o hotel do mandatário em Washington arrecadou quase 20 milhões de dólares em receita durante os primeiros meses de operação – um período que coincidiu com as eleições presidenciais e a posse de Trump no comando da Casa Branca. O líder americano registrou, no entanto, passivos que somam 315 milhões de dólares. Desse valor, cerca de 130 milhões de dólares representam dívidas com o banco alemão Deutsche Bank. O relatório afirma ainda que Trump renunciou a mais de 500 posições em empresas antes de assumir o mandato, incluindo várias no dia anterior à posse, em janeiro deste ano. Outros desligamentos ocorreram em 2015 e 2016, sendo a maioria em empresas e entidades nos EUA, mas algumas também na Escócia, Irlanda, Canadá e Brasil. O documento fornece uma ideia da situação financeira dos negócios do magnata, mas ainda não é específico o suficiente para permitir uma avaliação completa de seu patrimônio líquido. Conflito de interesses No início desta semana, os procuradores-gerais do Distrito de Colúmbia e do estado de Maryland entraram com uma ação na Justiça contra Trump, acusado de ter violado as leis anticorrupção do país ao aceitar pagamentos e benefícios de governos estrangeiros em negócios de suas empresas, mesmo durante o mandato. De acordo com o processo, as propriedades imobiliárias e comerciais de Trump violam uma cláusula sobre retribuições pouco conhecida da Constituição americana. Essas normas impedem que o presidente aceite benefícios ou pagamentos vindos do exterior sem a aprovação do Congresso. Antes de assumir a Casa Branca, o magnata transferiu o controle de seu conglomerado para os filhos Donald Jr. e Eric, para evitar possíveis conflitos de interesse enquanto ocupasse a presidência. Mesmo assim, os procuradores-gerais, ambos democratas, consideram que Trump "quebrou suas promessas de manter as responsabilidades públicas separadas de seus interesses empresariais privados", inclusive ao receber atualizações regulares sobre a saúde financeira das companhias. Brian Frosh, procurador-geral de Maryland, afirmou que Trump recebe regularmente diplomatas estrangeiros em seus hotéis e faz constantes aparições públicas em estabelecimentos de sua família, "usando seu papel como presidente para levantar seu perfil público". Segundo explicaram os procuradores ao jornal The Washington Post, se um juiz federal permitir que o caso proceda, um dos primeiros passos seria exigir cópias das até então sigilosas declarações fiscais de Trump, a fim de esclarecer a situação de seus negócios no exterior. EK/ap/dpa/efe/lusa/rtr/ots

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