UE e Reino Unido iniciam negociações para o Brexit

Sorrisos e gestos amigáveis marcam início de negociações que ambas as partes sabem que serão difíceis. Bruxelas insiste em começar pela situação dos britânicos que vivem na UE e dos europeus no Reino Unido.O Reino Unido e a União Europeia (UE) iniciaram nesta segunda-feira (19/06) as negociações formais para o Brexit, a saída dos britânicos do bloco europeu. As duas partes prometem trabalhar de modo construtivo para chegar a um acordo satisfatório para ambas, apesar da indecisão em Londres sobre a forma como esse "divórcio" deverá ocorrer. Leia mais: O que está em jogo nas negociações do Brexit? Quase um ano depois do referendo que determinou a saída do Reino Unido da UE, o negociador-chefe da Comissão Europeia, o francês Michel Barnier, deu as boas vindas ao secretário britânico para o Brexit, David Davis, em Bruxelas. Por trás dos sorrisos e dos gestos amigáveis de ambos está em jogo não apenas o futuro do Reino Unido, mas também a ordem política europeia do pós-Guerra e a posição da Europa no mundo, que corre o risco de sofrer grandes abalos caso não seja atingido um acordo até o prazo final para as negociações, em março de 2019. "Temos que lidar primeiro com as incertezas geradas pelo Brexit", disse Barnier, mencionando as questões referentes aos direitos dos 3,2 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido, assim como dos 1,2 milhão de britânicos que vivem, trabalham e recebem benefícios sociais nos demais 27 países da UE, além da questão da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. Barnier evitou, porém, a controvérsia em torno da chamada conta do Brexit. Bruxelas afirma que o Reino Unido não pode deixar o bloco antes de pagar a conta referente a compromissos de longo prazo já assumidos, além da sua parcela nos benefícios de funcionários da UE. Uma estimativa que circula em Bruxelas coloca o valor dessa conta em 60 bilhões de euros, enquanto algumas projeções falam em até 100 bilhões. "Há mais coisas nos unindo do que nos separando", disse Davis, uma das figuras proeminentes da campanha a favor do Brexit. "Iniciamos as conversações num tom positivo e construtivo, determinados a construir no futuro uma parceria forte e especial entre nós e nossos aliados e amigos europeus." Durante as negociações deverão ser tomadas decisões sobre uma ampla variedade de temas, que envolvem desde acordos nucleares até áreas de pesca marítima. A UE já deixou claro que não vai ceder na questão das quatro liberdades: a livre circulação de bens, capital, serviços e trabalhadores, que considera indissociáveis. Já os britânicos querem retomar o controle sobre a imigração e pôr fim à liberdade de movimento de pessoas de outros países europeus para o Reino Unido, mas querem manter o livre comércio. A primeira-ministra Theresa May disse que o Reino Unido vai deixar o mercado comum europeu e tentar chegar a um acordo com o menor número possível de barreiras comerciais. Para manter o cronograma, os negociadores terão de chegar a um acordo bem antes de março de 2019, uma vez que as nações europeias e o Parlamento Europeu terão de aprová-lo, o que poderá levar meses. Diante disso, Bruxelas estabeleceu um prazo final mais realista para outubro – ou novembro, no mais tardar – de 2018. Caso isso não ocorra, os dois lados deverão criar um acordo de transição, o que deverá prolongar ainda mais o divórcio. Se o Reino Unido acabar deixando a UE sem chegar a um acordo, serão criadas enormes incertezas para os cidadãos e para o setor de negócios, além de questões sobre a segurança global. No entanto, é difícil saber exatamente qual seria a dimensão do estrago. RC/afp/ap

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