Chefe do Uber renuncia após pressão de investidores

Cofundador Travis Kalanick cede a pressões e se afasta do cargo em meio a vários escândalos envolvendo a empresa, incluindo denúncias de assédio sexual nos escritórios.O cofundador e diretor-executivo do aplicativo de caronas pagas Uber, Travis Kalanick, anunciou nesta terça-feira (21/06) sua renúncia em meio à pressão de investidores da empresa. Segundo o jornal The New York Times, cinco investidores pediram a renúncia dele. "Eu gosto do Uber mais do que de qualquer outra coisa no mundo, mas, neste momento difícil da minha vida pessoal, aceitei os pedidos dos investidores para me afastar para que o Uber possa continuar crescendo, em vez de se ocupar com mais uma briga", disse Kalanick em declarações ao New York Times, numa referência à pressão para que deixasse o cargo. No dia 13 de junho, Kalanick havia pedido uma licença por tempo indeterminado motivada por problemas pessoais relacionados à morte da mãe num acidente de barco. O conselho administrativo do Uber confirmou nesta quarta-feira a saída de Kalanick, afirmando que o diretor-executivo se retirou para poder se recuperar da morte de sua mãe, "enquanto dá espaço para que a empresa se dedique por completo a esse novo capítulo da história do Uber". Kalanick manterá sua posição como membro do conselho. O Uber é alvo de acusações de assédio sexual que teriam ocorridos nos escritórios da empresa nos Estados Unidos e é investigado por supostamente ter fornecido informações falsas aos órgãos reguladores do setor de transporte de passageiros. Além disso, a empresa é acusada de obter de forma irregular informações sobre a tecnologia de veículos autônomos que sendo desenvolvida pelo Google. Após oito anos de um crescimento fenomenal, que ameaça tornar obsoleto o serviço tradicional de táxis, o Uber vinha enfrentando problemas para passar de uma startup inovadora para uma empresa de grande porte, capaz de lidar com perdas e arrecadar lucros de forma consistente. O Uber teve perdas de 708 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano, sendo incapaz de transformar um faturamento de 3,4 bilhões de dólares em lucro. Ainda assim, o prejuízo foi menor do que o registrado no trimestre anterior, que teve perdas de 991 milhões de dólares. O valor de mercado da empresa já foi avaliado em 70 bilhões de dólares. RC/lusa/ap

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