Rússia declara líder da oposição inelegível

Alexei Navalny, que se apresentava como principal rival de Putin na eleição presidencial de 2018, fica proibido de disputar pleito. Comitê eleitoral usa controversa condenação para justificar decisão.O comitê eleitoral da Rússia declarou nesta sexta-feira (23/06) como inelegível o líder da oposição Alexei Navalny, devido a seus antecedentes criminais. Assim, Navalny não poderá disputar a eleição presidencial no próximo ano, como havia anunciado. "Atualmente, Alexei Navalny não é elegível para disputar o cargo", decretou o comitê, acrescentando que o opositor está cumprindo uma pena de cinco anos suspensa por peculato. Condenados por crimes sérios só podem se candidatar a cargos públicos na Rússia dez anos após terem cumprido a pena. O líder da oposição foi condenado em fevereiro deste ano a cinco anos de prisão por desvio de dinheiro público. Na época, o juiz considerou Navalny culpado por se apropriar de 10 mil metros cúbicos madeira no valor de 500 mil dólares de uma empresa pública de exploração florestal, a Kirovless, quando era assessor do governo regional de Kirov. O opositor já havia sido sentenciado em 2013 pelo mesmo crime. A condenação, no entanto, foi cancelada pelo Supremo depois que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos denunciou infrações durante o processo judicial, considerando a sentença "arbitrária". Navalny afirma ser inocente de todas as acusações e tachou o processo de "político". Principal rival de Putin O líder opositor, de 40 anos, ganhou fama ao denunciar em seu blog a corrupção na administração pública. Ele se apresentava como o principal rival de Vladimir Putin no pleito presidencial de 2018. Navalny tem sido uma maldição para o governo russo desde que ficou em segundo lugar na eleição para prefeito de Moscou em 2013, quando concorreu por uma plataforma anti-Putin. O sucesso cimentou seu lugar como principal líder da oposição. No entanto, a missão de Navalny de chegar ao Kremlin sofreu repetidos recuos e obstáculos, incluindo agressões físicas. Em abril, ele precisou de tratamento médico depois que jogaram líquido cáustico verde em seu rosto, o que o deixou com a visão permanentemente prejudicada. Na semana passada, o opositor, que lidera uma campanha anticorrupção na internet, organizou uma segunda onda de manifestações na Rússia. O público alvo da campanha são adolescentes e estudantes que cresceram sem ter visto uma Rússia sem Putin no poder. Ele foi detido na manifestação, e um tribunal em Moscou o declarou culpado por violar repetidas vezes a lei sobre organização de atos públicos. Ele foi condenado a 30 dias de prisão. CN/rtr/afp

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