Bibliothek: A Weimar literária e real

Ricardo Domeneck

Em sua época de ouro, cidade alemã atraiu figuras como Goethe, Schiller e Nietzsche. Arquivos dedicados a eles e ruas e casas onde fase áurea da literatura alemã foi escrita fazem visita à pequena Weimar valer a pena.Apesar de viver há quinze anos como escritor na Alemanha, há uma cidade de grande importância histórica para a literatura de língua alemã que visitei pela primeira vez somente na semana passada: Weimar. Sob o mecenato de Karl August, Grão-Duque de Saxe-Weimar-Eisenach, a cidade conheceu um apogeu literário, atraindo grandes personalidades, como Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller, e também figuras menos conhecidas, como Christoph Martin Wieland, Johann Gottfried von Herder e Johannes Daniel Falk. Foi a época de ouro de Weimar. Ali fundariam o estilo que veio a ser conhecido como Weimarer Klassik. Como se não bastasse, viveram e produziram na cidade também Johann Sebastian Bach e Friedrich Nietzsche. Alguns desses nomes estão entre os alemães mais famosos e influentes de todos os tempos. Talvez por isso espantasse algumas pessoas, quando o assunto vinha à tona, que eu jamais houvesse visitado a cidade. Uma espécie de peregrinação literária incontornável. A cidade sempre teve um vulto grande em minha cabeça por tudo isso. Além disso, ela cedeu seu nome ainda para a República que surge ao fim da Primeira Guerra, a República de Weimar, um dos períodos que mais me interessam na história alemã. Foi com essas expectativas que fui à cidade para uma leitura. Sua importância histórica é tão grande que eu também a imaginava assim: grande. Ao chegar à estação ferroviária central de Weimar, me perguntei por um segundo se havia descido na cidade errada. Parecendo uma parada de cidade do interior, a estação já anunciava que Weimar ainda hoje é pequena e delicada. É interessante como as lendas literárias por vezes distorcem a realidade. Na Goetheplatz, há uma estátua dos dois amigos Goethe e Schiller. Não muito longe dela, pode-se visitar a casa onde viveu Goethe e onde escreveu, entre outros, seu Fausto. Também existe ainda a casa onde viveu Schiller, e a cidade sedia os arquivos dedicados aos dois, assim como o de Nietzsche. Bastante poupada durante os bombardeios da Segunda Guerra, Weimar é uma das cidades alemãs onde ainda se pode ver um retrato antigo do país. Grande parte dessa história ocorreu, é claro, quando ainda não se podia falar de uma Alemanha, antes da Unificação sob comando da Prússia. Mas com certeza Weimar é uma das cidades onde a sensibilidade alemã, unindo todas as regiões pela língua, começou a ser forjada. Para conhecer as ruas e casas onde uma fase áurea da literatura alemã foi escrita, mas também para simplesmente ler estas mesmas obras nos muitos cafés de Weimar, a visita à cidade com sabor literário vale bastante a pena. Na coluna Bibliothek, publicada às terças-feiras, o escritor Ricardo Domeneck discute a produção literária em língua alemã, fala sobre livros recentes e antigos, faz recomendações de leitura e, de vez em quando, algumas incursões à relação literária entre o alemão e o português. A coluna Bibliothek sucede o Blog Contra a Capa.

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