Rússia condena cinco por morte de opositor Nemtsov

Tribunal russo declara cinco homens chechenos culpados pelo assassinato de notório crítico de Putin, morto há dois anos em Moscou. Familiares e aliados do dissidente criticam veredicto.Um tribunal russo condenou cinco homens nesta quinta-feira (29/06) pelo assassinato do líder opositor russo Boris Nemtsov. O crítico do presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi morto a tiros há dois anos, quando caminhava por uma ponte próxima ao Kremlin. O opositor e ex-vice-primeiro-ministro, morto aos 55 anos, estava trabalhando num relatório que examinava o papel da Rússia na Ucrânia. Sua morte abalou os círculos da oposição. Após mais de oito meses de audiências, um júri considerou Zaur Dadayev, ex-oficial das forças de segurança do líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, responsável pelo assassinato de Nemtsov, segundo informações de agências russas de notícias. Outros quatro homens – Shadid e Anzor Gubashev, Temirlan Eskerkhanov e Khamzat Bakhayev – foram declarados culpados por envolvimento na morte. Aliados e a família de Nemtsov criticaram os investigadores por não analisar o possível papel de autoridades chechenas e do próprio Kadyrov no crime. O assassinato do ex-vice-primeiro-ministro foi o homicídio político de maior destaque na Rússia desde que Putin chegou ao poder, há 17 anos, como primeiro-ministro. Crime organizado Os cinco réus, todos de etnia chechena e da região do Cáucaso Norte, supostamente faziam parte de uma gangue organizada que executou o assassinato encomendado. Eles negaram as acusações. Investigadores alegaram que os réus foram contratados por um funcionário de segurança checheno chamado Ruslan Mukhudinov, que ofereceu 15 milhões de rublos (cerca de 270 mil dólares) pelo assassinato. Mukhudinov fugiu e ainda está sendo procurado pela polícia. O advogado da família de Nemtsov insistiu que aqueles que ordenaram o assassinato não foram levados à Justiça e afirmou que os arquitetos do crime estão à solta. "Não podemos dizer que estamos satisfeitos com o veredicto", disse o advogado Vadim Prokhorov. "Em dois anos, [...] eles não conseguiram encontrar o organizador e o autor intelectual do assassinato político mais proeminente do século 21. É um fiasco completo." Zhanna Nemtsova, filha do opositor morto, repetidamente defendeu que Kadyrov, líder da Chechênia apoiado pelo Kremlin e que se intitula "soldado de Putin", fosse convocado para questionamentos sobre o que sabe sobre o caso. Kadyrov chegou a elogiar Dadayev como um "verdadeiro patriota da Rússia". PV/rtr/afp/dpa/ap

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