G20 em tempos de desconfiança

Sabine Kinkartz (ca)

Cúpula em Hamburgo reúne polarizadores Erdogan, Putin e Trump. Como anfitriã, Angela Merkel, que tem claras diferenças com todos e admite que encontro ocorre num mundo "em crise e mais desunido$escape.getQuote().Em 12 anos no cargo, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, já pôde vivenciar uma ou outra reunião de cúpula, chegando mesmo a organizar algumas. Em 2007, foi anfitriã do G8 em Heiligendamm, no Mar Báltico; em 2015, do G7 na cidade bávara de Elmau. Agora, nos próximos dia 7 e 8 de julho, Hamburgo será palco de mais um desses megaeventos. Neste ano, os líderes das 20 principais economias industrializadas e emergentes deverão viajar com mais acompanhantes do que nunca. Mas esse não é o único ponto que vai distinguir o encontro do G20 em Hamburgo de todos aqueles que Merkel teve de superar até agora. "Neste ano, a cúpula do G20 acontece em condições particularmente difíceis", afirma a chefe de governo. "Eu indico apenas os maiores desafios: terrorismo, mudanças climáticas, protecionismo – e todos esses temas estão na agenda. O mundo está em crise, ele se tornou mais desunido." Essa desunião é personificada, sobretudo, pelos presidentes dos EUA, Donald Trump, da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Todos os três estarão presentes em Hamburgo. Já de antemão, pode-se dizer que eles vão ter os seus próprios interesses em vista. Erdogan gostaria de usar a sua visita à Alemanha para discursar perante compatriotas na cidade hanseática. Mas o governo alemão proibiu. Resta esperar para ver se essa proibição vai perdurar. Trump quer usar a cúpula do G7 para se encontrar pela primeira vez diretamente com Putin. Não faltam pontos de discussão: do conflito na Ucrânia, passando pela guerra na Síria e sanções contra a Rússia, até a suposta influência de Moscou na eleição do republicano. O assessor de segurança nacional do presidente americano H.R. McMaster informou que, em Hamburgo, Trump vai se esforçar para que o Ocidente desenvolva uma relação construtiva com a Rússia. Sem clima Trump tem também outras ideias sobre o que deve ser discutido na cúpula do G20. Ele pretende, por exemplo, denunciar o excesso de capacidade na produção global de aço e pressionar por restrições. Além disso, ele não vai, naturalmente, recuar de sua decisão de abandonar o acordo climático de Paris. O presidente americano declarou ter anunciado a medida "para proteger empregos, empresas e trabalhadores americanos", dizendo-se "orgulhoso disso". "Não devemos esperar por nenhuma conversa fácil em Hamburgo", apontou a chanceler federal da Alemanha. "O dissenso está claro e seria pouco sincero querer passar por cima dele. Eu não vou fazer isso de forma alguma." Mas Merkel também não pretende isolar Trump. "Estamos trabalhando para que possamos dizer, por um lado: estamos comprometidos com o Acordo do Clima de Paris. Mas também trabalhamos para encontrar soluções conjuntas." Encontrar uma fórmula que apoie o Acordo de Paris sem ter que assumir posições fortes demais, ou seja, isoladoras – esse é o desafio. Mas também haverá temas mais fáceis, como a luta conjunta contra o terrorismo, a política de saúde ou para as mulheres. Nesse ponto, a chefe de governo alemã disse estar "muito otimista". Em Hamburgo, também dificilmente haverá controvérsias sobre a questão dos refugiados. Como o G20 é o principal fórum da cooperação econômica internacional, as políticas econômicas e financeiras estão naturalmente no topo da agenda. Mas também o tema do livre-comércio deverá desempenhar um papel importante. "Estou convencida de que o protecionismo não pode ser nenhuma solução", apontou Merkel. "Ele prejudica todas as partes. Por isso precisamos de mercados abertos e meu objetivo é, portanto, que a cúpula do G20 envie um sinal claro para os mercados livres e contra o isolamento, como também assuma um compromisso aberto com o sistema multilateral de comércio." Mensagem positiva Um dos focos da presidência alemã do G20 é a cooperação com a África. Por meio da iniciativa Compact with Africa, que deverá atuar como uma complementação, mas não no lugar da ajuda ao desenvolvimento, um número maior de investidores públicos e privados deverá ser levado para o continente africano. A Agenda 2030 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável deverá ser abordada durante a cúpula. "Com os nossos parceiros do G20, queremos desempenhar um papel pioneiro na implementação [da Agenda] e eu gostaria de convencer, por exemplo, os parceiros do G20 para o compromisso de comunicar rapidamente nossas estratégias nacionais de implantação", explicou Merkel. Cerca de 5 mil jornalistas de 65 países se inscreveram para cobrir a cúpula do G20 em Hamburgo. "A minha meta para o encontro de cúpula é que dela emane um sinal de determinação, com o qual os chefes de Estado e governo do G20 mostrem que entenderam a sua grande responsabilidade frente ao mundo e que eles assumam essa responsabilidade", afirmou a chanceler federal.

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