PT vê perseguição, e oposição fala em decisão histórica

Mundo político reage à condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro. Petistas criticam falta de provas, enquanto governistas saúdam juiz Sergio Moro. Dilma Rousseff classifica sentença como "escárnio$escape.getQuote().A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou reações adversas no mundo político nesta quarta-feira (12/06). A decisão do juiz Sergio Moro, em primeira instância, imputou ao petista uma pena de nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Leia também: Condenação de Lula embaralha corrida para 2018 Opinião: Prisão para Lula é terremoto político No início da tarde, quando a sentença foi divulgada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados estava reunida para analisar a denúncia contra o presidente Michel Temer pelo crime de corrupção passiva. A notícia logo repercutiu entre os membros do colegiado. Em seu tempo de fala na CCJ, o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), criticou o fato de a condenação do ex-presidente ter sido divulgada no mesmo dia em que a comissão começou a discutir a acusação contra Temer, que aparecia até então como tema central da cobertura política. "Mais uma vez Sergio Moro apresenta um julgamento no momento em que está sendo avaliado o afastamento do presidente Michel Temer. Fica evidente a ação política do juiz neste momento importante da política nacional", avaliou o líder petista, lamentando o desvio das atenções. Para a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), a sentença de Moro é meramente "política", "sem provas" e tem como objetivo inviabilizar a candidatura de Lula à Presidência da República em 2018. "Se vocês querem tirar o Lula da vida política, sejam decentes e corajosos. Lancem um candidato e disputem nas urnas", desafiou a parlamentar. A ex-presidente petista Dilma Rousseff também se pronunciou sobre a condenação, classificando-a como um "escárnio". "Uma flagrante injustiça e um absurdo jurídico que envergonham o Brasil. (...) Essa condenação fere profundamente a democracia", afirmou ela em nota. Para Dilma, a sentença foi proferida por Moro "sem provas" e com "objetivo de cassar os direitos políticos" de seu antecessor. A petista disse ainda que Lula é "um dos mais importantes estadistas do mundo do século 21", que "vem sofrendo uma perseguição sem quartel". "Lula é inocente. E o povo brasileiro saberá democraticamente resgatá-lo em 2018", concluiu a ex-presidente. Oposição ao PT defende decisão A condenação, por outro lado, foi defendida por parlamentares governistas e por políticos que fazem oposição ao PT. Durante a sessão da CCJ nesta quarta-feira, o líder do DEM, deputado Efraim Filho (PB), afirmou que a sentença de Moro foi "baseada na lei, nos fatos e nas provas". "Ela significa o fortalecimento do combate à corrupção e à impunidade. É uma lição didática para o cidadão brasileiro para mostrar que acabou-se o tempo em que os poderosos não enfrentavam a Justiça. Todos devem ser iguais perante a lei", disse o parlamentar. O mesmo tom foi adotado pelo líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC). "A lei existe para todos. E ninguém pode estar acima da lei. A condenação do ex-presidente é uma decisão que precisa ser entendida como absolutamente correta tendo em vista que um juiz com a reputação de Sergio Moro não aplicaria uma penalidade sem ter provas suficientes para sustentá-la", disse o senador. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) – em segundo lugar nas pesquisas para presidente da República, atrás apenas de Lula – também saudou a decisão do juiz. "Meus cumprimentos e minha continência a Sergio Moro, um homem que está mostrando para todos no Brasil que podemos ter uma maneira diferente de fazer política", declarou ele em vídeo divulgado em rede social. Também pré-candidata ao Palácio do Planalto, Marina Silva (Rede-AC) afirmou que "a Justiça nunca pode ser tomada como ato de vingança" e reiterou o discurso de que "ninguém está acima da lei". "Os três grandes partidos que contribuíram para a democracia estão igualmente comprometidos, isso é muito triste", acrescentou a ex-ministra de Lula, referindo-se ao PT, PSDB e PMDB. EK/abr/ots

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