Liu Xiaobo é cremado em cerimônia simples

Controlada de perto pelo governo, ato de adeus ao dissidente chinês tem presença de viúva e termina com cinzas sendo jogadas ao mar. Autoridades dizem que mulher do ativista está "livre", mas amigos e advogado negam.As cinzas do dissidente chinês Liu Xiaobo, morto na quinta-feira passada em decorrência de um câncer, foram jogadas ao mar neste sábado (15/07), horas após uma cerimônia simples de cremação controlada de perto pelo governo chinês. Estiveram presentes a viúva, Liu Xia, e familiares. Em coletiva de imprensa organizada pelas autoridades chinesas, o irmão mais velho do ativista, Liu Xiaoguang, agradeceu ao Partido Comunista por ter dedicado um "cuidado humanista" ao irmão em seus últimos dias, e por ter realizado uma cerimônia de adeus que atendeu aos desejos da família. Amigos do dissidente, por outro lado, disseram não ser possível confirmar que era realmente um desejo de Liu ser cremado e ter suas cinzas jogadas ao mar. Eles acusam o governo chinês de continuá-lo censurando mesmo depois de sua morte, recusando-se a permitir um funeral apropriado. Ainda segundo os amigos, Liu Xiaoguang se opunha há anos aos ideais políticos do irmão. "Por que uma despedida no mar? Por que o governo teme que, se alguém tão emblemático como ele fosse enterrado, sua sepultura se tornaria um lugar onde seus apoiadores se reuniriam em sua memória e expressariam seus desejos de correr atrás da liberdade", afirmou Ye Du, amigo do ativista, a agências de notícias internacionais. As autoridades chinesas divulgaram fotos e vídeos da cerimônia privada antes da cremação, bem como das cinzas sendo jogadas ao mar, na cidade litorânea de Dalian, no nordeste da China. Em uma das imagens, a viúva aparece em pé em frente ao corpo, rodeado de pétalas brancas. Também estão na foto um irmão de Liu Xia e dois irmãos de Liu Xiaobo e suas mulheres. Zhang Qingyang, porta-voz da cidade de Shenyang, onde ocorreu a cremação, disse que amigos também estiveram presentes. Esse fato, no entanto, foi contestado por pessoas próximas a Liu, que relataram à imprensa não ter reconhecido qualquer amigo do ativista entre as pessoas da foto. Prêmio Nobel da Paz, Liu morreu aos 61 anos após batalha contra um câncer no fígado. Ele estava preso desde 2009, quando fora condenado a 11 anos de prisão por "subversão" ao governo. Desde que sua saúde piorou, estava internado num hospital na cidade de Shenyang. Pequim foi alvo de uma enxurrada de críticas por ter negado os apelos para que o dissidente fosse tratado no exterior. Políticos estrangeiros, organizações de direitos humanos e amigos também têm manifestado preocupação com o estado de Liu Xia, que passou os últimos sete anos em prisão domiciliar, sem ser acusada de nenhum crime. Ela foi presa pouco depois de seu marido ter recebido o Nobel, em 2010. Em entrevista coletiva neste sábado, o porta-voz de Shenyang foi questionado sobre a situação da viúva, se ela teria permissão de viajar para o exterior como pretende. Zhang respondeu que Liu Xiu "é livre", mas que nesse momento ela sente um "enorme pesar" pela morte do marido, e as autoridades "respeitam seu desejo de não ser incomodada". Apesar da declaração do governo, os amigos mais próximos denunciariam que não podem contatá-la e que ela está sob a vigilância do regime. Jared Genser, um advogado americano que vinha representando o dissidente chinês, reiterou que a viúva tem estado "incomunicável" desde a morte do marido. "O mundo precisa se mobilizar para resgatá-la – e rápido", disse ele em comunicado. EK/afp/ap/efe/lusa/rtr

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