Turquia celebra um ano do golpe fracassado

Erguendo bandeiras vermelhas, milhares vão às ruas comemorar primeiro aniversário do golpe de Estado fracassado, evidenciando uma sociedade turca polarizada. Em discurso, Erdogan fala em "cortar a cabeça dos traidores$escape.getQuote().Centenas de milhares de pessoas foram às ruas de Istambul neste sábado (15/07) celebrar o primeiro aniversário do golpe de Estado fracassado. Erguendo bandeiras vermelhas, a multidão se aglomerou na ponte do Bósforo, palco de confrontos entre soldados e civis na noite de 15 de julho de 2016. Leia também: Um ano depois, turcos ainda sofrem efeitos do golpe frustrado Opinião: Derrota da democracia na Turquia Autoridades turcas proclamaram a data feriado nacional de "democracia e unidade", descrevendo a frustração do golpe como uma vitória histórica da democracia turca. Críticos, por outro lado, acusam o governo de adotar um caminho cada vez mais autocrático e repressor desde então. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se uniu às comemorações na ponte, agora chamada Ponte dos Mártires de 15 de Julho, onde será inaugurado um memorial em homenagem aos que morreram naquela noite – foram 249 mortos em toda a Turquia, além de mais de 2 mil feridos. Durante o ato, monitores exibiam fotos dos chamados "mártires", aqueles que perderam suas vidas tentando impedir o golpe, conforme classifica o governo turco. Seus nomes foram também anunciados ao microfone. Bandeiras da Turquia e gritos de "Deus é grande" marcaram o evento. Em discurso, Erdogan prometeu punir seus inimigos e exaltou os civis desarmados que desafiaram soldados e seus tanques na noite em que estes tentaram tomar o poder do país. "Eles não mostraram qualquer piedade quando apontaram suas armas ao meu povo. O que meu povo tinha? Eles tinham suas bandeiras, assim como têm hoje, e algo muito mais importante: sua fé", declarou. O presidente ainda voltou a falar sobre a reintrodução da pena de morte no país, abolida em 2004. "Em primeiro lugar, vamos cortar as cabeças desses traidores", afirmou ele, garantindo que assinaria qualquer lei aprovada pelo Parlamento em relação à retomada das execuções. Em outra sugestão polêmica, Erdogan declarou que as pessoas que estão sendo julgadas por suspeita de envolvimento com a tentativa de golpe deveriam vestir uniformes como os macacões alaranjados usados na prisão militar americana em Guantánamo. "Falei com o primeiro-ministro. Quando eles aparecerem na corte, vamos fazê-los usar roupas como as de Guantánamo", disse o presidente durante o ato, depois de uma controvérsia envolvendo um desses suspeitos, que surgiu no tribunal com a palavra "herói" estampada na camiseta. As comemorações do primeiro aniversário do golpe fracassado começaram mais cedo neste sábado, em sessão especial do Parlamento em Ancara, com a presença de Erdogan e do primeiro-ministro turco, Binali Yildirim. "Há exato um ano, a mais longa e escura noite da Turquia se transformou num dia brilhante, e a ocupação do inimigo se transformou na lenda do povo", declarou o premiê. A multidão presente na celebração em Istambul evidencia uma sociedade cada vez mais dividida em relação ao governo. No domingo passado (09/07), centenas de milhares de pessoas foram às ruas da mesma cidade no encerramente de uma marcha pacífica que percorreu 450 quilômetros, desde Ancara, capital do país, para pedir justiça e protestar contra o governo do presidente turco. Entre as principais reivindicações estavam a libertação de presos políticos, democracia e o fim do estado de emergência, vigente no país há quase um ano, desde a tentativa de golpe em 2016. Ancara atribuiu o golpe fracassado a adeptos do sacerdote muçulmano dissidente Fethullah Gülen, que vive exilado nos Estados Unidos e nega qualquer participação. Mais de 169 mil pessoas foram acusadas de conexão com o movimento Gülen, classificado pelo governo como terrorista. Segundo o ministro turco da Justiça, Bekir Bozdag, mais de 50 mil pessoas foram presas desde o golpe de 15 de julho, e outras 8 mil são procuradas pelas autoridades. Além disso, mais de 110 mil foram demitidos de seus cargos, entre eles professores, militares e policiais. Em decorrência das ordens executivas, milhares de instituições foram fechadas, incluindo universidades, escolas e repúblicas estudantis particulares, centros de saúde, fundações e associações com supostas conexões com o movimento Gülen. EK/afp/ap/dpa/lusa/efe/rtr

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