Megaprocesso contra grupo neonazista entra na reta final

Julgamento já dura quatro anos, e mais de 850 testemunhas foram ouvidas por tribunal de Munique. Única sobrevivente do trio de extremistas NSU é principal acusada pelas mortes de dez pessoas.O processo contra a organização terrorista de extrema direita NSU (Clandestinidade Nacional-Socialista) entrou na sua reta final nesta quarta-feira (19/07), na Alemanha, depois de mais de quatro anos de depoimentos e apresentação de provas. Foram ouvidas 815 testemunhas e 42 especialistas. Nos próximos dias, a acusação fará seu discurso. Como há apenas cinco audiências disponíveis antes do início do recesso de férias do tribunal de Munique, os discursos da defesa e das partes civis deverão ficar para setembro. O veredicto deverá sair até outubro. O processo começou em 6 de maio de 2013 e colocou no banco dos réus a única sobrevivente da NSU, Beate Zschäpe. Os dois companheiros dela no grupo, Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt, cometeram suicídio em 2011, quando estavam cercados pela polícia. Zschäpe é a principal acusada pelas mortes de dez pessoas, nove delas comerciantes de origem turca ou grega e uma policial, entre 2000 e 2006. Ela também é acusada de integrar uma organização terrorista e de participar de assaltos e cometer atentados com bombas. Se condenada, pode pegar a prisão perpétua. Outras quatro pessoas estão no banco dos réus, incluindo um membro do partido extremista NPD, Ralf Wohlleben. Elas são acusadas de cumplicidade por supostamente terem ajudado ou apoiado os membros da NSU na execução de crimes. Zschäpe viveu durante quase 14 anos na clandestinidade com seus cúmplices Mundlos e Böhnhardt. Nesse período, os dois cometeram os dez assassinatos e dois atentados com bombas. As mortes dos nove comerciantes teriam motivações racistas. Zschäpe é acusada de cumplicidade nos assassinatos e nos atentados, que ela teria ajudado a organizar. Ela nega que tivesse conhecimentos dos crimes. O julgamento dos crimes da NSU é o maior processo judicial envolvendo neonazistas da história da Alemanha e também o mais caro, com custo estimado de 56 milhões de euros. Ele já dura mais de quatro anos. O caso também revelou erros graves cometidos pela polícia e pelo serviço secreto interno da Alemanha, que por anos descartaram a possibilidade de que as mortes dos comerciantes tivessem uma motivação racista e fossem ligada à cena de extrema direita do país. AS/dpa/afp

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