Oposição desafia Maduro com greve nacional

  • Francisco Bruzco/ Xinhua

    19.jul.2017 - Moradores esperam para pegar ônibus durante paralisação de motoristas, em Caracas

    19.jul.2017 - Moradores esperam para pegar ônibus durante paralisação de motoristas, em Caracas

Paralisação eleva ainda mais pressão para que presidente venezuelano desista de seu projeto de Assembleia Constituinte. Oposição se declara disposta a negociar propostas para a superação da crise.

A oposição da Venezuela convocou uma greve geral de 24 horas para protestar contra o governo do presidente Nicolás Maduro e elevar a pressão para que ele retire sua polêmica proposta de uma Assembleia Constituinte para reformar a carta magna do país.

A convocação, marcada para esta quinta-feira (20), foi precedida de uma paralisação de condutores de ônibus que afetou o transporte público de Caracas. Eles exigem um aumento no preço das passagens.

A greve se soma ao plebiscito de domingo passado, quando 7 milhões de pessoas disseram não à proposta de Constituinte do governo, e às manifestações que se iniciaram em 4 de abril, depois de o Tribunal Supremo de Justiça destituir a Assembleia Nacional de suas funções legislativas. Ao menos 94 pessoas já morreram em meio aos protestos, marcados pela violência.

A sindicalista Marcela Máspero, que foi simpatizante do governo chavista, disse que sua organização, a União Nacional de Trabalhadores (UNT), apoia a proposta da oposição e participará da greve.

O presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, afirmou que é "chegada a hora" de fazer "pressão máxima" sobre o governo de Maduro. Segundo ele, a oposição recebeu um "mandato claro" com a consulta popular de domingo passado, na qual a maioria dos votantes rechaçou a Constituinte, instou as Forças Armadas a respeitar a Constituição, pediu eleições livres e um governo de transição.

O primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional, Freddy Guevara, disse que, se Maduro retirar sua proposta de Constituinte, os líderes opositores estarão dispostos a discutir, "de maneira aberta e transparente, propostas sérias que conduzam à superação política" da crise.

Maduro chamou o plebiscito organizado pela oposição de ilegal e afirmou que apenas 600 mil pessoas participaram dele. Além da pressão interna, ele enfrenta uma pressão externa crescente, com ameaças de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.

Nesta quinta-feira, o governo brasileiro voltou a pedir a Maduro que desista da Assembleia Constituinte, que, segundo o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, incorpora instituições eleitorais fascistas.

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