Turquia revoga lista de empresas alemãs suspeitas de terrorismo

Autoridades em Berlim e em Ancara afirmam que governo turco "retirou oficialmente" lista contendo 700 companhias alemãs acusadas de apoio ao terrorismo. Alegação estremecera ainda mais relações entre os dois países.A Turquia decidiu voltar atrás num pedido feito ao governo em Berlim para que cooperasse com uma investigação envolvendo centenas de empresas alemãs suspeitas por Ancara de serem apoiadoras do terrorismo, informaram nesta segunda-feira (24/07) autoridades de ambos os países. Uma lista contendo quase 700 companhias alemãs foi entregue há algumas semanas ao Departamento Federal de Investigações alemão (BKA, serviço secreto), por meio da Interpol. Entre as empresas haveria grandes nomes, como da montadora Daimler e da química Basf. Ancara acusou as empresas listadas de terem ligação com o religioso Fethullah Gülen, que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, responsabiliza pela tentativa de golpe há um ano no país. Em telefonema nesta segunda-feira, o ministro do Interior turco, Süleyman Soylu, assegurou a Thomas de Maizière, seu homólogo alemão, que "as empresas listadas não estão sendo investigadas pelo governo turco, nem na Turquia nem na Alemanha", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior alemão. Tal investigação já havia sido negada por Erdogan no domingo. Segundo o funcionário, Soylu alegou que a entrega da lista ao BKA decorreu de um "problema de comunicação" e informou que o pedido de cooperação foi "formalmente retirado" pelo governo turco neste sábado, dois dias depois de a existência da lista ser noticiada pela imprensa internacional. O vice-primeiro-ministro turco, Bekir Bozdag, ratificou a informação nesta segunda-feira. "O pedido foi retirado durante o fim de semana. Gostaria de deixar claro que houve um grande erro de comunicação aqui", afirmou o político, alegando, por sua vez, que a lista trazia apenas nomes de empresas turcas, e não alemãs. Na semana passada, o semanário alemão Die Zeit revelou a existência da lista, referindo-se na ocasião a 68 empresas e indivíduos alemães acusados por Ancara de apoio ao terrorismo por meio de suas ligações com a Turquia. O número foi logo desmentido pelo governo alemão. Tensão entre Berlim e Ancara As relações entre Berlim e Ancara vivem há meses um período de tensão devido à repressão pós-golpe do governo turco contra supostos seguidores de Gülen. Após a detenção do ativista de direitos humanos alemão Peter Steudtner na semana passada, devido à suspeita de apoio a organizações terroristas, Berlim elevou o tom. O ministro do Exterior, Sigmar Gabriel, anunciou o endurecimento de suas advertências de viagem para a Turquia, advertindo que cidadãos e empresas não estão seguros no país. A ministra alemã da Economia, Brigittte Zypries, disse que as relações econômicas turco-alemãs alcançaram um ponto baixo. "Se empresas alemãs aparecem de repente em 'listas negras' e são tachadas de apoiadoras do terrorismo, então surge um clima que dificulta novos negócios e investimentos na Turquia", afirmou. Nesta segunda-feira, a porta-voz do Ministério da Economia alemão, Tanja Alemany, declarou que, apesar do "esclarecimento" da questão por parte de Ancara, "levará um tempo até que companhias alemãs recuperem a confiança" na Turquia como um país para se fazer negócio. EK/ap/dpa/lusa/rtr/dw

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