Holanda lança alerta na Europa sobre ovos contaminados

Após recomendação de autoridade alimentar holandesa, milhões de ovos são retirados das prateleiras do país, além da Alemanha e da Bélgica. A suspeita é de contaminação com o inseticida fipronil, tóxico para humanos.Supermercados na Alemanha e Holanda retiraram de suas prateleiras milhões de ovos suspeitos de estarem contaminados com um pesticida tóxico, após um alerta alimentar lançado pelas autoridades holandesas nesta quinta-feira (03/08). A Bélgica também proibiu a comercialização desses produtos. A NVWA, agência responsável por segurança alimentar na Holanda, mandou fechar, no início desta semana, 180 empresas avícolas no país que estariam utilizando o inseticida fipronil, considerado tóxico para consumo humano pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesta quinta-feira, a autoridade afirmou que, diante dos resultados de uma série de testes, decidiu que 138 fazendas devem permanecer com as portas fechadas. A NVWA justificou que lotes de ovos comercializados por esses fabricantes representam "um perigo grave para a saúde pública". A imprensa holandesa acusou o órgão de dar informações contraditórias sobre o caso. Primeiro, a NVWA disse que os níveis de pesticida utilizados pelas empresas não representavam risco para a saúde pública. Num segundo momento, lançou um alerta sobre vários lotes de ovos, recomendando sua retirada do mercado e aconselhando que eles não sejam consumidos até novo aviso. Uma lista com dezenas de códigos – que aparecem impressos nas cascas dos ovos e identificam onde eles foram produzidos – foi publicada pela agência reguladora em sua página na internet, pedindo para que os cidadãos evitem consumi-los. Segundo a mídia holandesa, cerca de 10 bilhões de ovos foram produzidos no país no último ano por cerca de mil fazendas avícolas. Muitos deles atravessaram a fronteira para a Alemanha. O ministro da Agricultura alemão, Christian Schmidt, afirmou que "ao menos 3 milhões de ovos contaminados" provenientes da Holanda chegaram ao país nas últimas semanas, e a maioria foi comercializada. "A Alemanha foi mais afetada do que pensávamos", admitiu Schmidt, após realizar, nesta quinta-feira, uma "teleconferência de crise" com seus homólogos nos estados alemães. No país, várias redes de supermercados anunciaram ter interrompido a venda de ovos holandeses. O grupo Rewe, bem como sua cadeia subsidiária Penny, anunciou que retiraria de suas prateleiras todos os ovos provenientes da Holanda, independentemente de estarem na lista da NVWA ou não. Já em território holandês, a rede de supermercados Albert Heijn, a maior do país, informou que "parou a comercialização de 14 tipos de ovos", seguindo as indicações da agência de segurança alimentar, afirmou a porta-voz da empresa, Els van Dijk, à agência de notícias AFP. "Todos esses 14 tipos de ovos foram enviados de volta aos depósitos para serem destruídos", completou ela, indicando que esta é uma "situação sem precedentes" para o grupo Albert Heijn. A autoridade de segurança alimentar da Bélgica, AFSCA, também lançou uma investigação criminal sobre a questão. Testes encontraram fipronil em alguns ovos, mas não em quantidades que representam ameaça à saúde humana. Nenhum desses ovos chegou às prateleiras de supermercados belgas, garantiu a agência. Em Bruxelas, a Comissão Europeia disse estar ciente da situação. Segundo a porta-voz Anna-Kaisa Itkonen, o caso está sendo monitorado de perto pelas autoridades. "O que posso dizer é que as empresas foram identificadas, os ovos foram banidos, e a situação está sob controle", afirmou. Produzido por empresas como a alemã Basf, o fipronil é comumente utilizado em produtos veterinários para evitar o aparecimento de pulgas, piolhos e carrapatos. Seu uso, no entanto, é proibido para tratar animais destinados ao consumo humano, como aves. Segundo a OMS, o inseticida altamente tóxico pode danificar o fígado, os rins e a tireóide de seres humanos se consumido em grandes quantidades e por período prolongado. EK/afp/dpa/lusa/ots

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