Após alerta de ovo contaminado, Holanda testa carne de frango

Autoridades holandesas buscam traços de pesticida tóxico em carnes provenientes das granjas envolvidas em escândalo de contaminação. Bélgica, por sua vez, encontra níveis perigosos de fipronil em ovos após testes.Em mais um capítulo do alerta alimentar europeu sobre ovos contaminados com pesticida tóxico, autoridades holandesas informaram nesta terça-feira (08/08) que começaram a fazer testes também nas carnes de frango provenientes das granjas envolvidas no escândalo. Os cientistas estão procurando traços do inseticida fipronil, considerado tóxico para consumo humano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após supermercados em vários países europeus terem anunciado a retirada de milhões de ovos de suas prateleiras por conta da mesma suspeita. A NVWA, agência responsável por segurança alimentar na Holanda, enviou um alerta à Europa no fim de julho, após encontrar vestígios do uso do pesticida em várias fazendas avícolas do país. Ovos produzidos nessas granjas chegaram a países como Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido. "Agora estamos testando as carnes de frango das fazendas avícolas onde ovos foram infectados, a fim de determinar se a carne também está contaminada", explicou Tjitte Mastenbroek, porta-voz da NVWA, à agência de notícias AFP. A busca se concentra em "algumas dezenas" de granjas que comercializam tanto ovo como carne de frango, acrescentou o funcionário. A venda de carne proveniente dessas fazendas só voltará a ser permitida quando e se os resultados derem negativo para o fipronil. Por sua vez, o Conselho de Segurança Holandês (OVV) anunciou ter aberto sua própria investigação para apurar por que o fipronil não foi detectado mais cedo em ovos. Também será investigado "o papel do setor avícola e do governo holandês" no escândalo. O ministro alemão da Agricultura, Christian Schmidt, instou as autoridades na Bélgica e na Holanda a esclarecerem rapidamente a "rede criminosa" responsável pela contaminação dos ovos, classificando-a como "inaceitável". Ele também criticou a resposta tardia dos governos à crise. No fim de semana, autoridades belgas admitiram que sabiam desde o início de junho de uma suspeita de que ovos produzidos no país teriam sido expostos ao inseticida. Mesmo assim, não divulgaram nenhum alerta na época. Nesta terça-feira, a agência responsável por segurança alimentar da Bélgica, a FASNK, informou que detectou níveis perigosos do pesticida em ovos testados no país. A análise encontrou 0,92 miligramas da substância por quilograma, o que excede o nível de segurança imposto pela União Europeia (UE), que é de 0,72 miligramas por quilograma. O escândalo No fim de julho, um alerta europeu sobre contaminação de ovos foi lançado pela NVWA, que encontrou vestígios do uso do fipronil em várias fazendas avícolas no país. Após fechar mais de cem granjas, recomendou que os mercados deixassem de vender os ovos produzidos por elas. O Ministério da Agricultura alemão afirmou que ao menos 10 milhões de ovos contaminados vindos da Holanda chegaram ao país nas últimas semanas, e a maioria foi vendida. Na segunda-feira, seguindo ações de Amsterdã e Bruxelas, Berlim anunciou que também deu início a uma investigação criminal em fazendas do país para apurar o escândalo alimentar. Ovos contaminados chegaram ainda à França e ao Reino Unido, mas em menor quantidade, segundo informou a Comissão Europeia na segunda-feira. O órgão também alertou os governos da Suíça e da Suécia sobre a possibilidade de esses alimentos terem entrado em seus territórios. Em meio ao escândalo, várias redes alemãs de supermercados anunciaram na semana passada a restrição da venda de ovos em suas lojas no país. O grupo Rewe, bem como sua cadeia subsidiária Penny, anunciou que retiraria de suas prateleiras todos os ovos provenientes da Holanda. Já a rede de supermercados populares Aldi, que possui mais de 4 mil unidades na Alemanha, comunicou o interrompimento da venda de todos os ovos, não importando a origem deles. Em comunicado, justificou que tomou a decisão por "pura precaução", a fim de fornecer "clareza e transparência" ao consumidor, embora não haja evidência real de contaminação em seus produtos. A associação alemã de agricultores, por outro lado, descreveu a atitude como uma "reação exagerada". Fipronil Produzido por empresas como a alemã Basf, o fipronil é comumente utilizado em produtos veterinários para evitar o aparecimento de pulgas, piolhos e carrapatos. Seu uso, no entanto, é proibido para tratar animais destinados ao consumo humano, como aves. O inseticida é considerado tóxico para humanos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podendo danificar órgãos como fígado, rins e tireoide se consumido em grandes quantidades e por período prolongado, alerta a entidade internacional. EK/afp/dpa/dw

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