Berlinenses fazem protesto diário contra monumento

Obra de 15 milhões de euros tem como objetivo homenagear os protestos pacíficos na antiga República Democrática Alemã e a Reunificação. Mas muitos moradores não gostaram da ideia.A controversa construção do Memorial da Unidade Alemã, projetado no centro histórico de Berlim para homenagear os protestos pacíficos na antiga República Democrática Alemã (RDA) e a Reunificação, não é mais apenas alvo de debates – agora também está atraindo protestos diários. Um grupo decidiu se reunir todos os dias às 7h da manhã por ao menos 7 minutos para fazer ouvir sua voz contra o monumento. Apelidada de "Gangorra da Unidade" (Einheitswippe), a obra tem inauguração prevista para novembro de 2019, para coincidir com o aniversário de 30 anos da queda do muro de Berlim. O projeto lembra uma enorme gangorra de metal sobre a qual visitantes poderão caminhar. Aludindo à alegria e gratidão pela Reunificação e pela vitória da liberdade, o memorial será erguido em frente ao Palácio de Berlim. No futuro, o palácio abrigará o Fórum Humboldt: um centro cultural e museu com foco nas culturas mundiais, antropologia e etnologia. Para a Associação do Centro Histórico de Berlim, porém, o local é inadequado. O grupo diz que o monumento que glorifica a Alemanha não combina com a instituição vizinha, que promove a troca cultural e compreensão internacional. "O Fórum Humboldt deveria se tornar um lugar das culturas mundiais. Com o plano de colocar um monumento a uma alegria intrinsecamente alemã em frente à entrada, ele acabará ficando completamente ridículo", disse a diretora da associação, Annette Ahme, à agência alemã dpa. Críticos já vinham reclamando que a peça destoa da região escolhida para abrigá-la: o Palácio de Berlim, de estilo barroco, está sendo reconstruído próximo à Ilha dos Museus, repleta de construções clássicas. A dita "gangorra", além disso, será posicionada sobre o pedestal de um antigo monumento nacional dedicado ao primeiro imperador da Alemanha, o rei Guilherme 1º da Prússia. Para a Associação do Centro Histórico de Berlim, há lugares mais apropriados para um monumento à unidade nacional, como a área do Parlamento e da Chancelaria. O plano é manter os protestos até a eleição legislativa na Alemanha, em 24 de setembro. O governo alemão surpreendeu ao autorizar a construção do monumento mais cedo neste ano, depois que o financiamento do projeto havia sido suspenso, em abril de 2016, devido à escalada nos custos da obra, que subiram de estimados 10 milhões para 15 milhões de euros. PJ/dpa

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