Alemanices: A dolorosa despedida do verão

Karina Gomes

Com a chegada de setembro, a Alemanha se despede lentamente dos dias longos de sol. É um período de nostalgia, que precede as folhas amareladas no chão, os aquecedores ligados e a longa espera pelo calor.Setembro chegou e, com ele, o prenúncio de ventos mais frios, folhas no chão e árvores secas na Alemanha. Lentamente, os dias ensolarados até as 22h ficam mais escuros. É um período de transição e de nostalgia. E ninguém perde tempo. Basta o vento e a chuva darem trégua e um singelo raio de sol aparecer para todos correrem para os parques, para a beira do rio, e para qualquer canto da cidade onde a despedida do verão seja um pouco mais lenta e menos dolorosa. O verão europeu nos deixará definitivamente no dia 22 de setembro e, na Alemanha, já nos preparou para a despedida. Dias frios fizeram um longo ensaio nas últimas semanas. Comemorações com churrasco no parque tiveram de ser substituídas por festas em casa, e o dia de relaxar no lago mais próximo teve de ser adiado. As férias escolares acabaram, e muitos turistas voltam gradativamente à rotina. As roupas de calor são empurradas para o fundo do armário, e as jaquetas e casacos começam a se amontoar nos cabides. A relação com o clima é difícil. Logo vão chegar os dias em que nos escondemos atrás das frestas das janelas, checando a previsão do tempo semanal. O calendário meteorológico dita as expectativas. A espera pelo dia com sol é ansiosa e inquieta. Mesmo que ele não apareça, ninguém fica em casa. Aproveitar os espaços públicos é, independentemente do tempo que faz lá fora, uma constante. Com as folhas amarelas, vermelhas e marrons do outono que logo irá chegar, a paisagem se mantém convidativa. A espera pelo próximo verão, no entanto, será longa. Será o tempo de recolher as flores do jardim e guardar os bulbos no porão até a próxima primavera. Será o tempo de ver a pele mais seca e pálida. Vamos ficar encolhidos e reservados curtindo o quentinho do aquecedor dentro de casa e em espaços fechados. Serão ao menos seis meses de frio. E, quando não houver neve, não importa a temperatura, muitos estarão do lado de fora, nas mesinhas dos bares espalhadas nas ruas. A diferença com o verão é que vão usar um cobertor, oferecido por muitos estabelecimentos. E quando o sol raiar e o dia esquentar de leve, mesmo com cachecol, botas e luvas, vão correr para as sorveterias comemorando, enfim, que o pior já tenha passado. Na coluna Alemanices, publicada às sextas-feiras, Karina Gomes escreve crônicas sobre os hábitos alemães, com os quais ainda tenta se acostumar. A repórter da DW Brasil e DW África tem prêmios jornalísticos em direitos humanos e sustentabilidade e vive há quatro anos na Alemanha.

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