Turquia acusa Merkel de populismo

Porta-voz de presidente turco diz que chanceler e seu adversário promovem "discriminação e racismo" ao se dizerem contra a adesão de seu país à União Europeia. Declarações durante debate de TV acirram tensão com Ancara.A Turquia reagiu nesta segunda-feira (04/09) a declarações sobre Ancara feitas pela chanceler federal alemã, Angela Merkel, e seu adversário, Martin Schulz, do Partido Social-Democrata (SPD), num debate televisionado neste domingo. O porta-voz do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou os políticos alemães de "populismo". Leia mais: Berlim e Ancara se estranham cada vez mais Sondagens dão vitória a Merkel em debate na TV No debate, Merkel e Schulz se manifestaram contrários à adesão da Turquia à União Europeia (UE). O porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, escreveu no Twitter que as declarações de ambos os candidatos irão promover "discriminação e racismo" em relação aos turcos. Segundo ele, o debate televisivo mostrou que não importa quem ganhar, a mentalidade será igual. O ministro turco para Relações com a União Europeia, Ömer Celik, afirmou que as afirmações de Merkel e Schulz "constroem um Muro de Berlim com as pedras do populismo". Durante o debate, Merkel se declarou claramente contra a adesão da Turquia à UE e anunciou que iria discutir com os colegas da UE "se podemos chegar a uma posição comum neste ponto e também se podemos encerrar essas negociações de adesão". Antes dela, Schulz havia defendido, de forma surpreendente, o fim das negociações, contrariando uma posição antiga do SPD. O candidato a chanceler afirmou que o governo em Ancara passou de todos os limites. Segundo o Ministério do Exterior da Alemanha, o ministro do Exterior, Sigmar Gabriel, que também é do SPD, concorda com a atitude de Schulz. Gabriel expressou várias vezes que considera as negociações de adesão "uma farsa", afirmou o porta-voz do ministério. O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, disse nesta segunda-feira que Merkel pretende discutir a adesão da Turquia à UE na próxima cúpula do bloco, em outubro. Ele assegurou que não há planos para realizar uma cúpula extraordinária da UE sobre a questão antes das eleições parlamentares alemãs, em 24 de setembro. As relações entre Berlim e Ancara estão estremecidas desde o fracassado golpe de Estado na Turquia em julho de 2016. Ancara acusa Berlim de abrigar separatistas curdos e supostos golpistas, que considera "terroristas". Uma recente proibição de comícios de políticos turcos na Alemanha também ajudou a azedar as relações entre os dois países. Em julho, o governo alemão anunciou o endurecimento de suas advertências de viagem à Turquia em reação à prisão preventiva do ativista alemão Peter Steudtner em Istambul, junto com outros cinco ativistas dos direitos humanos. Os detidos foram acusados de "cometer crimes em nome de uma organização terrorista". A Alemanha classificou as detenções de "arbitrárias". MD/dpa/afp/rtr

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