Opinião: Alemanha deve permanecer estável e confiável

Hamid Karzai (as)

País é um oásis de estabilidade e um parceiro político e econômico preferencial em todo o mundo. Nesta eleição está em jogo a manutenção desse potencial, opina o ex-presidente do Afeganistão Hamid Karzai.Nestes tempos agitados, a Alemanha é vista internacionalmente como um oásis de estabilidade – e, ao mesmo tempo, como uma das economias mais bem-sucedidas e cortejadas do mundo. Por esse motivo, poucos acontecimentos políticos são acompanhados com tanto interesse pela opinião pública mundial como a eleição para o Bundestag, em 24 de setembro. Independentemente do resultado da eleição, nós, no Afeganistão, obviamente esperamos que a sólida base econômica da Alemanha continue dando provas de estabilidade. Uma economia em bom funcionamento não apenas dá à Alemanha condições de oferecer ajuda ao desenvolvimento – pela qual nós, aqui no Afeganistão, somos gratos – como também tecnologias, investimentos e, não menos importante, produtos de exportação. No meu país, produtos industrializados da Alemanha são muito apreciados devido à sua qualidade de ponta e seu design – e isso há mais de um século, desde o início das relações comerciais com o Afeganistão. Os recentes resultados das urnas em países líderes – como a votação do Brexit no Reino Unido e a adoção de um caminho político e econômico incerto nos Estados Unidos – também empurraram a Alemanha para um novo papel: ela se tornou a âncora central da Europa graças à sua economia estável e à coesão social interna. É verdade que a desigualdade de renda cresceu um pouco na Alemanha, mas os salários estão subindo, e a taxa de desemprego continua baixa. Isso deveria fomentar a coesão social na Alemanha e colaborar para que o país se mantenha cooperativo em questões de migração e política de refugiados. Nesse aspecto, a Alemanha adquiriu um grande prestígio internacional, sobretudo no Sudoeste Asiático e no Afeganistão, onde a imagem do país é a melhor possível há muitas décadas. A maior parte dos afegãos que vivem na Europa estão na Alemanha. Nosso povo tem condições de contribuir do ponto de vista social e econômico se lhe forem dadas condições adequadas para isso. Eu não canso de reiterar isso quando falo com meus amigos alemães. Mesmo em meio à campanha eleitoral, eu gostaria de incentivar o povo alemão – com sua admirável escrupulosidade e correção, sua grande tradição na filosofia, literatura, música e nas artes – a mostrar compreensão pela situação no mundo. A emigração do Afeganistão e alguns outros estados do Sudoeste Asiático, nos últimos tempos, é resultado do caos, da guerra e da expulsão. Só que a política exercida por potências ocidentais também contribuiu para essa situação. Não se trata apenas de problemas internos, como muitos talvez acreditam. No Afeganistão, nós estamos muito cientes do apoio político da Alemanha. O país nos ajudou a superar problemas durante a ocupação soviética e depois do fim do domínio do Talibã, em 2001. Em 1998, o governo alemão nos ajudou a conduzir um diálogo político interno em Bonn, organizado pela Fundação Friedrich Ebert. Em 2001, Bonn foi palco dessa conferência pioneira, que traçou o caminho para a era após o domínio do Talibã, rumo à democracia. Eu ficaria feliz se a Alemanha, depois da eleição, continuar desempenhando um papel positivo, principalmente no campo da educação e do treinamento das nossas forças de segurança, na política de desenvolvimento e, com isso, no fomento à paz no Afeganistão. Eu tive o privilégio de poder cooperar com dois políticos alemães excepcionais. A chanceler federal Angela Merkel sempre foi uma rocha. Meu próprio mandato coincidiu com o dela por quase uma década. Sou grato por seu apoio generoso e inteligente ao meu país. Da mesma forma, o presidente Frank-Walter Steinmeier sempre mostrou profundo entendimento da complexidade e das possibilidades da relação teuto-afegã. Aprendi que, na Alemanha, governos sempre se formam a partir de coalizões de partidos diferentes entre si. Agora o povo tem o poder de eleger os partidos para uma coalizão construtiva, para que a Alemanha possa desenvolver seu pleno potencial na Europa e no mundo.

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