Verdes e liberais concentram atenções em debate dos menores

Jefferson Chase (rk)

Se CDU de Merkel chegar mesmo na frente, dois partidos menores são vistos como potenciais parceiros de coalizão: os verdes e os liberais. Mas primeiro eles precisam se entender, e debate na TV indicou se isso é possível.Um dia depois de o único debate televisivo entre os dois principais candidatos na eleição alemã, a chanceler federal Angela Merkel, da União Democrata Cristã (CDU), e o presidente do Partido Social-Democrata (SPD), Martin Schulz, ter tido poucos pontos altos devido à temperatura morna do duelo, foi a vez de os partidos menores voltarem a se enfrentar na televisão nesta segunda-feira (04/09). Os cinco participantes cobrem o espectro político alemão de um extremo ao outro: estavam lá a legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com sua bandeira anti-imigração; o partido conservador bávaro União Social Cristã (CSU), "irmã caçula" da CDU; o Partido Liberal-Democrático (FDP), orientado ao mercado livre e às liberdades civis; o Partido Verde, ambientalista e pró-imigração; e A Esquerda, sucessora do partido central da antiga Alemanha comunista. Leia também: Refugiados e Turquia dominam debate entre Schulz e Merkel Opinião: Faltou duelo entre Merkel e Schulz Leia a cobertura completa sobre as eleições na Alemanha 2017 Com esse amplo leque de posições políticas, o potencial de divergência era muito maior do que o do debate entre Merkel e Schulz, que, no fim das contas, representam os dois principais partidos no governo, formado ainda pela CSU. Por isso, não demorou para surgirem as faíscas num encontro que foi descrito na TV alemã como "a batalha dos cinco". A candidata de A Esquerda, Sahra Wagenknecht, por exemplo, atacou CSU e FDP já no início por seu apoio à privatização. E todos os representantes partidários, exceto Joachim Herrmann, da CSU, atacaram a grande coalizão liderada por Merkel em assuntos que foram da aposentadoria à digitalização e da proteção de dados ao combate ao islamismo radical na Alemanha. Os melhores inimigos? Apesar de os cinco participantes do debate estarem ali em busca de votos, há uma diferença fundamental entre eles. A União Social Cristã (CSU) existe apenas na Baviera e nunca rompeu com a União Democrata Cristã (CDU) – portanto, está dentro do próximo governo se ele for liderado pela CDU. A AfD, que tem membros acusados de racismo e de simpatizar com o nazismo, é descartada como parceira de coalizão por todos os outros partidos. E a dobradinha CDU-CSU afasta uma coalizão com A Esquerda, na prática excluindo o partido de uma divisão de poder – a não ser que Schulz e o SPD protagonizem uma reviravolta milagrosa nas próximas semanas. Assim, as atenções se voltaram para os dois potenciais fieis da balança que os conservadores cortejariam para uma aliança de governo: o FDP e o Partido Verde. Pelas atuais pesquisas, uma aliança dessas duas agremiações políticas com a CDU/CSU certamente chegaria a uma maioria parlamentar, mas também exigiria que os verdes e os liberais superassem uma antipatia mútua declarada. Estratégia ou não, o presidente do FDP, Christian Lindner, concordou com o líder do Partido Verde, Cem Özdemir, de que as remunerações para cargos tipicamente femininos, como enfermeiras ou educadoras, precisam ser maiores. E, quando lhe fez uma pergunta, Lindner se dirigiu a Özdemir usando a segunda pessoa do singular – uma maneira informal de tratamento na Alemanha. Os dois trocaram algumas farpas sobre a ocupação da Crimeia pela Rússia, mas Özdemir parecia mais preocupado em criticar a CSU e os movimentos extremistas de esquerda e de direita. "Eu não consigo mais ouvir as desculpas anti-UE, nem de A Esquerda nem da AfD, de que toda vez que uma política nacional falha a culpa é de Bruxelas", disse o líder dos verdes em seu momento mais inflamado. Esquerda versus direita Para A Esquerda e a AfD, que rondam a marca de 10% nas pesquisas, o objetivo é conseguir o maior número possível de votos, dificultando assim a formação de uma coalizão pelos partidos centristas. Se houver mais uma edição da chamada grande coalizão, entre CDU/CSU e SPD, quem angariar mais votos entre A Esquerda, Partido Verde, FDP e AfD se torna líder da oposição parlamentar. Isso seria um êxito especialmente para a AfD, que existe desde 2013. Alice Weidel, da AfD, fez questão de declarar que seu partido é o único que critica a política da União Europeia de manter a taxa de juros perto de zero. A afirmação não foi bem recebida por A Esquerda. "Eu não sei se a AfD tomou de nós a crítica à UE, mas nós já dizíamos isso mesmo antes de existir algo como a AfD", retrucou Wagenknecht. Weidel respondeu perguntando a Wagenknecht se seu partido realmente acredita num mundo sem fronteiras nacionais. Wagenknecht, então, elevou o tom do debate perguntando se Weidel se sente confortável num partido cheio de "semi-nazistas". Tema imigração é obrigatório Após as críticas de que o debate entre Merkel e Schulz teria focado demais no tema migração, os moderadores do encontro televisivo entre os partidos menores se concentraram em assuntos ligados ao bem-estar social. Mas não houve como escapar ao tópico dos imigrantes e requerentes de refúgio. Aqui emergiram as diferenças entre o FDP e o Partido Verde, com Lindner dizendo que requerentes de refúgio rejeitados precisam ser deportados mais rapidamente, e criticando os verdes por sua oposição às deportações para o norte da África. Sem surpresas, Weidel, da AfD, assumiu a linha mais dura, propondo uma revisão da lei alemã com o objetivo de atingir o que chamou de "imigração negativa". Özdemir argumentou que as "pessoas erradas" estariam sendo deportadas, enquanto indivíduos perigosos, como o autor do ataque ao mercado de Natal de Berlim, Anis Amri, não são vigiados de maneira eficaz. É impossível saber se houve mudanças na opinião dos eleitores durante os 75 minutos de debate, durante o qual os cinco candidatos se atacaram e interromperam continuamente. Mas a chamada "batalha dos cinco" mostrou que existe a possibilidade de novas alianças políticas na Alemanha – o que, claro, dependerá do eleitorado alemão em 24 de setembro.

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