Alemanices: Por que na Alemanha homens fazem xixi sentados

Karina Gomes

Desde crianças, meninos alemães aprendem que é preciso sentar no vaso sanitário para urinar, em casa ou em banheiros públicos. Alguns se rebelam contra o costume, que já foi até alvo de disputas judiciais.Em banheiros públicos, no trabalho e até em casa, placas indicam que os homens não devem ficar em pé diante do vaso sanitário na Alemanha. A regra é sentar-se. O costume de fazer xixi sentado é ensinado às crianças em casa. O motivo é evitar respingos e gotas do xixi na privada ou no chão. Questões feministas, de higiene ou de saúde masculina já foram usadas como argumento para justificar por que os homens devem se sentar sobre o vaso, não só na Alemanha, mas em outros países da Europa e da Ásia. Alguns homens, no entanto, se rebelam contra o costume. Um caso chegou à Justiça em 2015. Um inquilino entrou com um processo contra a locatária, que não queria devolver uma caução de 3 mil euros por causa de manchas causadas pela urina dele no mármore do banheiro. Para resolver a disputa, o Tribunal Distrital de Düsseldorf decidiu que homens têm o direito de fazer xixi em pé se assim quiserem, e que, apesar de poderem ter "desentendimentos ocasionais com companheiros de casa, principalmente, mulheres", não são responsáveis por efeitos colaterais gerados pelo ato de urinar. Em outro caso, em Berlim, um juiz decidiu que um locatário deveria ter um desconto de 10% no aluguel do apartamento, porque se incomodava com o barulho do vizinho urinando em pé. Até uma empresa se aproveitou do controverso costume e desenvolveu um alarme que é instalado na parte traseira do assento. Quando um homem levanta o suporte para urinar em pé, o alarme dispara. Quem urina em pé ou sentado tem até um rótulo específico – Sitzpinkler (pessoa que urina sentada) e Stehpinkler (quem urina em pé). O dilema sobre em qual postura urinar oscila entre comodidade (fazer xixi da forma mais prática e convencional) e solidariedade (para colaborar com a limpeza em casa). Na coluna Alemanices, publicada às sextas-feiras, Karina Gomes escreve crônicas sobre os hábitos alemães, com os quais ainda tenta se acostumar. A repórter da DW Brasil e DW África tem prêmios jornalísticos em direitos humanos e sustentabilidade e vive há quatro anos na Alemanha.

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