Escravidão moderna afeta 40 milhões de pessoas, diz estudo

Relatório da OIT mostra que 25 milhões de pessoas são submetidas a trabalho forçado em todo mundo, e 15 milhões casaram à força. Do total, 71% são mulheres. Além disso, uma em cada dez crianças trabalha.Mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas da chamada escravidão moderna no ano passado, envolvendo trabalho forçado e casamento compulsório, segundo dados de um estudo publicado nesta terça-feira (19/09). A grande maioria dos afetados são mulheres e crianças, diz a pesquisa. O relatório foi produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para a Migração (OIM), e divulgado no âmbito da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que teve início nesta terça-feira em Nova York. Segundo o estudo, das 40 milhões de vítimas da escravidão moderna, 25 milhões foram submetidas a trabalho forçado, e outras 15 milhões viviam em casamentos forçados. Mulheres e meninas são desproporcionalmente afetadas por essas ações, somando 29 milhões do total de pessoas, o que corresponde a 71%, ou mais de sete em cada dez vítimas. Ainda segundo as estimativas da OIT, o sexo feminino constitui 99% das vítimas de trabalho forçado envolvendo exploração sexual, e 58% do total das vítimas, independentemente do setor. Entre os submetidos a matrimônio forçado, mulheres e meninas correspondem a 84% do total. Das 25 milhões de pessoas que sofrem de trabalho forçado, 16 milhões estão no setor privado, informou a pesquisa, incluindo trabalho doméstico, construção, agricultura e pesca. Outras 4 milhões foram forçadas a trabalhar por autoridades do governo. "Trabalhadores forçados produziram parte da comida que comemos e das roupas que vestimos. Eles também limparam os prédios em que muitos de nós vivemos e trabalhamos", escreve o relatório. O trabalho forçado na escravidão moderna inclui ainda aqueles que foram submetidos à exploração para o pagamento de dívidas – essas pessoas correspondem a quase metade das vítimas totais. As práticas de escravidão, segundo a OIT, ocorrem em todas as regiões do mundo, mas são mais frequentes na África (7,6 em cada mil pessoas), na região Ásia-Pacífico (6,1 em cada mil) e na Europa e na Ásia Central (3,9 em cada mil pessoas). Nas Américas, o índice é de 1,9 em cada mil. Trabalho infantil As agências da ONU destacam ainda que uma em cada quatro vítimas da escravidão moderna é criança. Além disso, em todo o mundo, há 152 milhões de crianças que trabalham, ou seja, uma em cada dez. Quase metade das vítimas de trabalho infantil, ou 73 milhões de crianças, exercem funções perigosas, que põem em risco a sua saúde, segurança e desenvolvimento moral, alerta o relatório. Apesar de o índice de trabalho infantil ter diminuído entre 2012 e 2016, a redução foi menor no último ano. "Precisamos agir com mais rapidez se queremos cumprir o nosso compromisso de acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas até 2025", admitiram as organizações. Nove em cada dez crianças que trabalham vivem na África e na região Ásia-Pacífico. Para as entidades, há uma relação clara entre o trabalho infantil e situações de conflito e desastres: a incidência em países afetados por conflito armado é 77% mais elevada que a média global. Além disso, um grande número de crianças submetidas ao trabalho encontra-se fora das escolas. Entre meninos e meninas de 5 a 14 anos de idade, 36 milhões de crianças trabalham e não estudam, conclui o documento. O estudo, segundo a OIT, foi realizado por meio de entrevistas presenciais com mais de 71 mil pessoas em todo o mundo, com idades superiores a 15 anos. EK/ap/lusa/rtr/dw/ots

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