Milhares vão às ruas na Espanha após prisão de autoridades catalãs

Polícia espanhola detém 14 membros do governo da Catalunha por envolvimento com referendo pela independência, considerado ilegal por Madri. Rajoy defende ação, enquanto líder catalão fala em totalitarismo.Milhares de pessoas foram às ruas de Barcelona nesta quarta-feira (20/09) em protesto pela detenção de 14 membros do governo catalão, a pouco mais de 10 dias do referendo pela independência da Catalunha, marcado para 1º de outubro e considerado inconstitucional pelo governo em Madri. Espalhados pelas avenidas Gran Vía e Rambla de Catalunya, em uma das regiões mais comerciais de Barcelona, os manifestantes gritavam "Nós votaremos" e "Nossas armas são as urnas", acompanhados de várias autoridades políticas favoráveis à independência da região. A Assembleia Nacional da Catalunha (ANC), uma influente organização pró-independência, foi um dos incentivadores do protesto. "Vamos sair às ruas para defender nossas instituições de forma não violenta. Eles cometeram um grande erro. Queríamos votar, e eles declararam guerra", disse o presidente da ANC, Jordi Sánchez, em comunicado. Na capital espanhola, Madri, apoiadores do referendo também se reuniram na famosa praça central Porta do Sol, conhecida por receber dezenas de protestos antiausteridade durante a crise econômica espanhola. Políticos da aliança de esquerda Unidos Podemos e de grupos nacionalistas anunciaram que estariam presentes na manifestação. A Guarda Civil espanhola realizou uma operação na manhã desta quarta-feira envolvendo buscas em vários edifícios do governo catalão e a prisão de 14 altos funcionários supostamente envolvidos na preparação do referendo pela independência. Entre os detidos estava Josep Maria Jové, secretário da Economia da Catalunha. Mais tarde, os policiais confiscaram milhões de cédulas de votação que seriam usadas no referendo separatista. Agências de notícias informaram que entre seis e nove milhões de cédulas impressas com as opções "sim" e "não" foram encontradas em um armazém industrial nos arredores de Barcelona. A propriedade, segundo a agência espanhola Efe, é do empresário Pau Furriol Fornells, um dos detidos pela Guarda Civil na operação durante a manhã. O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu a operação desta quarta-feira, lembrando que ela foi determinada pelo Poder Judiciário para garantir o cumprimento da lei e o respeito ao Estado de direito. "Qualquer democrata tem a obrigação de respeitar o que diz um dos três poderes do Estado", declarou Rajoy diante do Parlamento espanhol. "Considero que estamos agindo com razão, moderação e proporcionalidade." O presidente do governo da Catalunha, Carles Puigdemont, por sua vez, acusou Madri de agir de forma "totalitária" ao realizar as detenções, impondo um "estado de exceção" na região. "O Estado [espanhol] suspendeu de fato a autonomia da Catalunha", completou. Os acontecimentos desta quarta-feira correspondem a mais um episódio da tensão crescente entre o governo em Madri e separatistas da Catalunha. O governo catalão marcou para 1º de outubro a consulta popular, desafiando a decisão do Tribunal Constitucional da Espanha, que declarou inválida a lei de transição para criação de um Estado catalão, aprovada em Barcelona. No fim de semana passado, a polícia espanhola já havia confiscado 1,3 milhão de panfletos, brochuras e cartazes convocando à votação. Entre os documentos havia 700 mil panfletos a favor do "sim" no referendo e 370 mil folhetos com o logo do governo regional catalão. EK/afp/lusa/efe/dw/ots

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