Opinião: México aprendeu lições do passado

Claudia Herrera-Pahl (as)

Pode-se questionar se não poderia ter sido feito mais, mas seria um erro e uma injustiça ignorar avanços nos preparativos contra terremotos, opina a chefe da redação online em espanhol da DW, Claudia Herrera-Pahl.Que a terra volte a tremer no México neste 19 de setembro, justamente 32 anos depois do devastador terremoto de 1985, com mais de 10 mil mortos, é uma coincidência tão improvável como ser alvo de um raio no deserto. Mas aconteceu: a terra voltou a tremer neste mesmo dia, que é marcado por simulações em escritórios e escolas desde aquela fatídica quinta-feira de 1985. Ao menos 44 edifícios desabaram na capital, e milhões de pessoas ocuparam as ruas, apavoradas, em busca de proteção. O número de mortos, entre eles escolares que não conseguiram sair a tempo de suas salas, subiu para mais de 217 pessoas enquanto escrevo este artigo. É muito provável que suba ainda mais. É um dia de tristeza profunda, que nos mostra, mais uma vez, a força da natureza, e nos lembra como os seres humanos são vulneráveis. Mas dias como este no mostram também que, nos últimos 32 anos, as centenas de tremores e furacões que ocorreram deixaram, para além da profunda tristeza e vazio por aqueles que perdemos, progressos importantes e visíveis. Sem querer minimizar a tragédia que representa cada uma das mortes contabilizadas pelo furacão Irma nos Estados Unidos, em Cuba e nos demais países do Caribe, pelo terremoto de Oaxaca e pelo furacão Maria, as últimas semanas de furacões devastadores e fortes tremores mostram que os governos e sociedades da região aprenderam e implementaram as lições do passado. O México se encontra numa das zonas de atividade sísmica mais fortes do mundo, e as ilhas caribenhas, numa região de furacões. Isso não pode ser mudado. Pode-se sempre questionar se não poderia ter sido feito mais numa região propensa a terremotos e furacões, mas seria um erro e uma injustiça ignorar os avanços em estratégias de comunicação e informação, em técnicas de simulação, em medidas de emergência e criação de refúgios alcançados até agora. O número de vítimas é muito alto, e os danos materiais são incalculáveis, mas jamais – ao menos este é o desejo e a esperança – voltarão a se registrar as cifras daquele ano fatal de 1985, que ficou gravado na memória de toda uma nação. E furacões monstruosos, como o Irma, tampouco têm podido com comunidades organizadas. "Que Deus proteja os mexicanos, estamos com eles." São apenas nove palavras, mas nove que, vindo de Donald Trump, demonstram que, perante a adversidade, temos apenas uns aos outros, e ao final nem mesmo a mais moderna tecnologia é capaz de estender uma ponte tão forte como a da solidariedade humana. Sem dúvida há muito por fazer e deve ser feito logo. De cada escombro deve sair algo positivo. Juntos, podemos alcançar isso. Resta dizer que, em momentos como este, vocês não estão sós – nós estamos com vocês.

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