Nobel Alternativo para defensores de mundo "justo, pacífico e sustentável"

Advogado de direitos humanos indiano, repórter azerbaijana que expôs corrupção, ativista dos direitos de deficientes na Etiópia e ambientalista americano são homenageados pela Fundação Right Livelihood Award.A Fundação Right Livelihood Award concedeu nesta terça-feira (26/09) o chamado Nobel Alternativo à jornalista Khadija Ismayilova, do Azerbaijão, o advogado de direitos humanos Colin Gonsalves, da Índia, e a ativista Yetnebersh Nigussie, da Etiópia. Além disso, o advogado ambientalista americano Robert Bilott foi congraçado com o prêmio honorário. "Os vencedores do prêmio deste ano protegem os direitos e a vida dos cidadãos em três continentes", disse Ole von Uexkull, diretor da Fundação Right Livelihood Award. "Numa época de recuos alarmantes para a democracia, os êxitos desses laureados nos mostram o caminho para um mundo justo, pacífico e sustentável para todos", acrescentou, em Estocolmo. Desde 1980, a fundação homenageia personalidades que encontram "soluções práticas para problemas globais". Corrupção e direitos civis Ismayilova foi louvada pelo júri por "sua coragem e tenacidade mostradas na exposição da corrupção ao mais alto nível governamental, através de um jornalismo de investigação excepcional em nome da transparência e da responsabilização". Devido às publicações sobre esquemas da família do presidente do Azerbaijão, Ismayilova ficou presa por 18 meses e sofreu ameaças e campanha difamatória, disse Uexkull. Gonsalves foi escolhido pelo júri devido "à utilização incansável e inovadora dos litígios de interesse público que permitiram garantir os direitos fundamentais dos cidadãos mais marginalizados e vulneráveis da Índia nas últimas três décadas". Além de advogado principal no Supremo Tribunal indiano, Gonsalves é fundador da Rede Legal de Direitos Humanos (HRLN, na sigla em inglês), que defende causas de interesse público. Muitos de seus casos perante o Supremo da Índia são considerados precedentes jurídicos. "Num período em que a Índia, como muitos países, se torna cada vez mais autoritária, Colin [Gonsalves] e a rede de advogados desempenham um papel crucial na defesa da democracia indiana", afirmou Uexkull. A etíope Nigussie foi homenageada pelo "trabalho de promoção dos direitos humanos e de inclusão de deficientes", que contribuiu "para uma mudança social positiva, fundada nos direitos das pessoas e nas suas capacidades", justificou Uexkull, ao lado de Maina Kiai, membro do júri e antiga relatora especial da ONU sobre o direito de reunião pacífica e associação. Nigussie, que é cega, é formada em Direito e atua no Centro Etíope para Deficiência e Desenvolvimento (ECDD, na sigla em inglês) para fomentar a inclusão no país. Longa batalha jurídica O americano Bilott recebeu o prêmio honorário por ter "exposto várias décadas de poluição química, obtido justiça para as vítimas e estabelecido um precedente para uma regulamentação eficaz de substâncias perigosas", indicou a fundação. Recentemente Bilott venceu uma batalha jurídica de 19 anos, na qual representou 70 mil pessoas cuja água potável tinha sido contaminada com ácido perfluoro-octanoico, oriundo do gigante químico DuPont. "O escândalo governamental que Robert Bilott expôs é apenas a ponta do iceberg da poluição global causada pelos fluorocarbonetos. Graças ao seu trabalho obstinado, o mundo sabe atualmente que esta classe de produtos químicos representa uma grave ameaça para a saúde pública em todo o mundo", salientou Uexkull. O júri internacional escolheu os quatro premiados entre 102 nomeações oriundas de 51 países. Gonsalves, Ismayilova e Nigussie partilharão um prêmio monetário de três milhões de coroas suecas (cerca de 315 mil euros). O valor deve ser aplicado no trabalho que exercem. Os prêmios serão concedidos oficialmente em 1º de dezembro, em Estocolmo. PV/lusa/dw

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