A Alemanha à espera do próximo governo

Marcel Fürstenau (fc)

Merkel busca seu quarto mandato, e uma coalizão com os liberais e verdes poderá ajudá-la. Mas o primeiro passo deve ser dado pela própria chanceler federal, e seus parceiros precisam, acima de tudo, de paciência.Já no dia seguinte à votação, a palavra "novas eleições" pairava sobre Berlim. Jornalistas confrontavam Angela Merkel com a perspectiva, que, para ela, não existia: seria um "desrespeito ao voto dos eleitores", afirmou a chanceler federal. "Se os eleitores nos deram uma missão, temos que executá-la", completou.

Ao mesmo tempo, Merkel fez um apelo aos outros partidos: todos são responsáveis na tarefa de montar um governo estável. E, para isso, vale o ditado: devagar é que se vai longe. A chanceler até se permitiu uma brincadeira: a Holanda ainda não conseguiu formar um governo e, por isso, a Alemanha não seria o "caso mais urgente". De fato: os alemães foram às urnas há pouco mais de uma semana e, seus vizinhos, há meio ano.

Após a brincadeira, Merkel voltou logo a ser séria: assegurou aos parceiros de União Europeia que a Alemanha também vai negociar de forma responsável nesta "fase de transição". Um prazo para a formação do governo, porém, não foi dado. A única data mencionada pela chanceler foi o 15 de outubro, quando a Baixa Saxônia vai às urnas renovar o Parlamento estadual. O resultado pode influenciar a formação do governo federal.

No último domingo (01/10), o ministro das Finanças de Merkel, Wolfgang Schäuble, mostrou otimismo sobre um governo entre União Democrata Cristã (CDU), União Social Cristã (CSU), Partido Liberal Democrático (FDP) e Partido Verde – a chamada coalizão Jamaica, em alusão à semelhança entre as cores dos partidos e a bandeira do país caribenho.

Uma volta ao governo Merkel é, de fato, uma realidade tangível para os liberais do FDP, que ficaram de fora do Parlamento nos últimos quatro anos. Mas o recém-eleito chefe da bancada do partido, Christian Lindner, já deu indicações sobre conversas possivelmente difíceis e longas com a CDU/CSU e, principalmente, com o Partido Verde: ele chegou a afirmar que não conseguia imaginar uma coalizão Jamaica. Após o pleito, porém, ele frisou: "Estamos agora em uma situação em que está em causa a estabilidade da Alemanha". Uma frase, no entanto, que não diz nada sobre o tempo e a duração das possíveis negociações de uma coalizão.

Cem Özdemir, líder do Partido Verde, também aguarda uma sinalização de Merkel. No fim de semana, a legenda realizou uma pequena conferência em Berlim e, de forma unânime, aprovou o início das conversas para a formação de uma coalizão de governo. A condição, definiram os partidários, é que a questão da proteção climática não seja deixada de lado. Conferência similar será feita em 8 de outubro pelo partido de Merkel.

Do chefe de gabinete de Merkel, Peter Altmaier (CDU), também não é possível sentir nenhuma pressa. Em entrevista à revista alemã Focus, ele fez uma referência à difícil formação de governo com o Partido Social-Democrata (SPD) após as eleições federais alemãs em 2013. As negociações então duraram três meses e terminaram poucos dias antes do Natal. Altmaier não descarta que as próximas conversações com FDP e Partido Verde possam durar até 2018. "O mais importante é o conteúdo, não a data."

Embora os partidos que possivelmente formarão uma coalizão declarem não ter iniciado as discussões, o jornal Rheinische Post já especula um possível acordo entre liberais e verdes. As centrais dos dois partidos desmentiram rapidamente a questão. A notícia seria "fictícia sob todos os aspectos", afirmou o FDP. Até agora não houve nenhuma discussão aprofundada ou substantiva nem uma definição sobre uma possível distribuição de ministérios, completou a legenda. E os verdes afirmaram que a notícia divulgada era "bobagem": não houve nenhum encontro nem qualquer data marcada.

As preocupações com a longa incerteza já afligem a Igreja Católica. "Por favor, cheguem a um acordo, tentem um programa comum", pediu o presidente da Conferência dos Bispos Alemães, o cardeal Reinhard Marx. No entanto, admitiu, é improvável que haja uma formação rápida de governo na Alemanha.

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