Líder catalão pede mediação, mas não cede na independência

Carles Puigdemont diz que rei Felipe 6º "decepcionou muita gente" por "dirigir-se apenas a uma parte" da população e defende diálogo com Madri. "Mas não recebemos resposta positiva do Estado espanhol."Em meio a uma crise na Espanha após a realização do referendo pela independência da Catalunha no domingo passado, o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, afirmou nesta quarta-feira (04/10) ser favorável ao diálogo com o Estado espanhol para solucionar o embate.

"Esse momento exige mediação. Vou repetir quantas vezes for necessário: diálogo e acordo fazem parte da cultura política de nosso povo", declarou o líder em discurso transmitido pela televisão. Segundo ele, porém, "o Estado não deu nenhuma resposta positiva a essas ofertas".

Apesar da abertura ao diálogo, Puigdemont não cedeu em relação à causa separatista, afirmando que "hoje estamos mais certos do que ontem de nosso desejo histórico" de ser um Estado independente.

Em seu discurso, o líder catalão ainda lançou críticas ao rei Felipe 6º, que se pronunciara sobre o referendo na noite de terça-feira, descrevendo as autoridades da Catalunha como "irresponsáveis" por terem realizado a consulta popular, indo contra a decisão da Justiça.

Puigdemont afirmou que o monarca "decepcionou muita gente" por "dirigir-se apenas a uma parte" da população, e acusou Felipe 6º de adotar a mesma retórica do governo em Madri, que considera "catástrofica" em relação à Catalunha.

Nas últimas horas – especialmente após o discurso do rei em defesa da unidade espanhola –, foram várias as iniciativas a favor de algum tipo de mediação entre os governos da Espanha e da Catalunha, inclusive do Parlamento Europeu, que fez um apelo ao diálogo nesta quarta-feira.

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, por sua vez, não cede ao diálogo. Nesta quarta-feira, ele rechaçou uma proposta do líder do Podemos, Pablo Iglesias, para que fosse iniciada uma mediação entre Madri e os independentistas da Catalunha. O chefe de governo afirmou que não vai discutir com quem fez "uma chantagem tão brutal ao Estado".

Declaração de independência

Os líderes do governo regional da Catalunha anunciaram nesta quarta-feira que devem dar início na próxima semana ao pedido de declaração unilateral de independência da Espanha.

O Parlamento da Catalunha realizará na próxima segunda-feira, 9 de outubro, uma sessão para debater pela primeira vez os resultados do referendo separatista realizado no fim de semana passado – considerado inconstitucional pelo governo em Madri e que elevou as tensões no país.

Segundo definiram os parlamentares nesta quarta-feira, o único ponto da ordem do dia será o comparecimento de Puigdemont à sessão. Ele vai entregar ao Parlamento os resultados da consulta popular, que mostram um apoio amplo à independência.

Apesar da instituição não ter mencionado especificamente a declaração de independência, líderes catalães deixaram claro que essa é a intenção do governo regional caso sejam considerados oficiais os resultados do referendo.

A parlamentar Mireia Boya Busquet, do partido Candidatura de Unidade Popular (CUP), garantiu nesta quarta-feira que a declaração separatista unilateral será entregue em 9 de outubro. "Sabemos que pode haver distúrbios e prisões. Mas estamos preparados e, de jeito nenhum, pararemos."

A lei catalã sobre o referendo afirma que, dois dias após a oficialização dos resultados, o Parlamento deve realizar uma sessão para que seja efetuada uma declaração formal de independência da Catalunha. Tanto a lei regional como a convocação do referendo foram suspensas pela Suprema Corte da Espanha.

O governo regional catalão afirma que 90% dos eleitores votaram pelo "sim" no referendo de domingo passado. O número, porém, não representa a visão da maioria da população local, já que apenas 42% dos eleitores, ou 2,2 milhões de pessoas, foram às urnas.

O órgão responsável pelo monitoramento das eleições na Espanha rejeitou nesta quarta-feira a validade dos resultados e comunicou sua decisão aos governos em Madri e Barcelona e a vários órgãos europeus, bem como às Nações Unidas.

EK/rtr/ap/efe/dpa/ots

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