1987: Uwe Barschel é encontrado morto

Thomas Bärthlein e André Surén (rw)

Em 11 de outubro de 1987 foi encontrado morto num hotel em Genebra o ex-governador de Schleswig-Holstein. A suspeita inicial era suicídio, pois Uwe Barschel havia sido forçado a renunciar após um escândalo político."Não há dúvidas de que nenhum outro político na história da Alemanha foi tão prejudicado por um funcionário de seu círculo de colaboradores mais próximos", dizia o artigo intitulado "Watergate em Kiel – os truques sujos de Barschel" e publicado na revista Der Spiegel, edição de número 38 de 1987.

Com esse artigo, publicado um dia antes das eleições em Schleswig-Holstein, a Der Spiegel trouxe um elemento novo para a campanha eleitoral do estado alemão. Reiner Pfeiffer, assessor de imprensa do político democrata-cristão, disse à revista que teria sido encarregado por Barschel, então candidato a governador de Schleswig-Holstein, de iniciar uma campanha difamatória contra seu adversário político, Björn Engholm, candidato do SPD.

Da campanha fariam parte, segundo Pfeiffer, a espionagem do candidato do SPD por um detetive particular, uma denúncia anônima de sonegação fiscal e uma ligação falsa de um médico que diria a Engholm que ele estaria com aids.

As etapas do escândalo:

13 de setembro:


Após a publicação da reportagem pela revista, a União Democrata Cristã (CDU), partido de Barschel, perde a maioria absoluta nas eleições estaduais.


18 de setembro:


Numa entrevista coletiva de quatro horas de duração, Barschel apresenta depoimentos de sua inocência, prestados sob juramento por oito de seus colaboradores mais próximos.


25 de setembro:


A pressão dentro do próprio partido cresce e Barschel anuncia a renúncia para 2 de outubro.


6 de outubro:


Visivelmente afetado pelo escândalo, Barschel viaja para as Ilhas Canárias.


9 de outubro:


Seu partido exige que renuncie também ao mandato de deputado estadual. Barschel se declara decepcionado com o partido e anuncia seu retorno à capital Kiel.


10 de outubro:


No retorno, Barschel passa por Genebra, onde alega pretender encontrar um informante, que lhe daria as provas de que tudo teria sido uma conspiração.


11 de outubro:


Por volta do meio-dia, o corpo é encontrado por um repórter da revista Stern. A foto do morto, vestido, na banheira com água, corre o mundo. Exames toxicológicos apontam para um eventual suicídio por medicamentos.


8 de maio de 1988:


A oposição social-democrata vence as eleições e Björn Engholm torna-se governador. Mais tarde, se tornaria presidente do Partido Social Democrata e candidato à chancelaria federal alemã.


1º de março de 1993:


O secretário estadual Günther Jansen admite ter dado 40 mil marcos a Reiner Pfeiffer e é forçado a renunciar três semanas depois.


3 de maio:


Björn Engholm renuncia a todos os seus cargos, após admitir que já sabia há mais tempo das atividades de Pfeiffer.


21 de dezembro de 1994:


A Promotoria Pública da cidade de Lübeck abre inquérito para investigar a suspeita de assassinato de Barschel.


23 de outubro de 1995:


Uma comissão de inquérito da Assembléia Estadual em Kiel apresenta seu relatório sobre o caso, inocentando Barschel de ter inciado qualquer campanha de difamação contra Engholm.


2 de junho de 1998:


A Promotoria de Lübeck suspende suas investigações sobre o caso, sem ter chegado a uma conclusão.


30 de abril de 1999:


Também a Promotoria Pública de Genebra encerra seu inquérito.


Durante os 12 anos de investigações, surgiram as mais variadas teorias sobre a morte do ex-governador. Nada foi comprovado, seja a hipótese de envenenamento pelo Mossad, o serviço secreto israelense, seja a participação da CIA no caso.

Especulou-se também sobre o envolvimento de Barschel em negócios ilegais com armamentos ou ainda eventuais contatos com o serviço de espionagem da antiga Alemanha Oriental. Mas até hoje nada foi esclarecido e não se sabe ao certo o que aconteceu no hotel em Genebra.

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