EUA anunciam saída da Unesco

Governo Donald Trump acusa agência cultural das Nações Unidas de adotar postura anti-Israel e diz que país deixará de ser membro a partir de 2019. Contribuição financeira já havia sido encerrada em 2011.Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (12/10) a decisão de abandonar a Unesco, a agência de educação e cultura das Nações Unidas, que possui mais de 190 membros. O motivo é, segundo justificativa do governo Donald Trump, uma postura anti-Israel da organização.

A decisão, que vale a partir de 31 de dezembro de 2018, não surpreende: em 2011, ainda sob o governo Barack Obama, os EUA já haviam cancelado sua contribuição financeira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder aos palestinos o status de membros plenos.

"A decisão não foi fácil e reflete as preocupações dos EUA com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel", disse o Departamento de Estado americano em comunicado.

Segundo a nota, os EUA vão buscar "continuar engajados como Estado observador não membro" e manterão especialistas à disposição da organização.

Em 2011, o fim da contribuição americana representou um corte de mais de 20% (80 milhões de dólares) no orçamento da instituição, que teve que adotar medidas de austeridade. Houve redução, por exemplo, em pesquisas sobre tsunami e em programas de educação relacionados ao Holocausto.

A diretora-geral da Unesco afirmou que a decisão dos EUA representa uma derrota para o multilateralismo e para a família ONU.

"Após receber a notificação oficial do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco eu quero expressar meu profundo pesar com a decisão dos EUA de se retirarem da Unesco", disse Irina Bokova, em comunicado.

Em julho passado, a Unesco causou irritação em Israel – firme aliado dos EUA – ao declarar Hebron e os dois santuários adjacentes – a judaica Tumba dos Patriarcas e a muçulmana Mesquita de Ibrahimi – um patrimônio palestino.

A decisão levou Israel a reduzir ainda mais seu financiamento à ONU. Na ocasião, se tratou do quarto corte no último ano: a contribuição do país à ONU foi de 11 para só 1,7 milhão de dólares no intervalo de um ano. Cada redução foi antecedida de uma decisão da Unesco relacionada a locais históricos em territórios palestinos.

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