Checkpoint Berlim: Com quatro anos de atraso

Clarissa Neher

Casa de ópera mais antiga da capital reabriu parcialmente suas portas após restauração, marcada por adiamentos e explosão de custos. Obra é mais um daqueles casos que a eficiente engenharia alemã gostaria de esquecer.Depois de sete anos de obras e de um atraso de quatro anos, foram reabertas as portas do mais antigo teatro de Berlim: a Staatsoper, na famosa avenida Unter den Linden.

A reabertura, porém, no dia da Reunificação Alemã (3 de outubro), foi apenas uma encenação. A obra, inicialmente prevista para durar apenas três anos, ainda não foi totalmente concluída, faltam os últimos detalhes. Somente no início de dezembro espetáculos voltarão aos palcos na casa.

Essa reforma é mais uma daquelas obras que desfazem o mito sobre a eficiência do Made in Germany. Além do atraso, o orçamento inicial praticamente dobrou, devido a erros no planejamento e imprevistos que não entraram nos cálculos do projeto. Uma das surpresas foi o estado de conservação do local, pior do que o estimado.

Inicialmente orçada em 239 milhões de euros, a reforma custou no fim mais de 400 milhões. O projeto incluía não somente a restauração do prédio histórico no centro da capital alemã, mas também a modernização da estrutura de seu palco, que receberia equipamentos de última geração e um túnel que ligaria o palco ao prédio de ensaios. Tudo para colocar a casa entre uma das mais modernas do mundo e melhorar sua acústica.

A reinauguração, seguida de fechamento, parece repetir a história do imponente prédio. Inaugurado em 1742, ele abriu suas portas ainda em obras e no início funcionou no improviso. Sua primeira reforma, para ampliar o palco, ocorreu em 1786. No século 19, um incêndio destruiu o local. Pouco menos de um ano após o desastre de 1843, a ópera estava de pé novamente.

Na Segunda Guerra Mundial, o teatro sofreu danos em bombardeios. Com a divisão de Berlim, o prédio histórico ficou no lado da Alemanha Oriental. A Staatsoper tornou-se então a companhia de ópera oficial da República Democrática da Alemanha (RDA).

Restaurada, a casa abriu novamente suas portas dez anos depois do fim da guerra, em 1955. Em meados da década de 1980, o prédio passou por sua última reforma do período socialista. Já a saga de sua primeira restauração depois da Reunificação teve início em 2010. Na época, ficou claro que o local precisava desesperadamente da obra, afinal, falhas de segurança colocavam em risco funcionários, artistas e público. Os coordenadores do projeto, porém, garantiram que, em três anos, o teatro estaria novo em folha.

A história da obra não é única, e essa sina parece estar se tornando uma tradição na eficiente engenharia alemã. Explosão de custos e atrasos são cada vez mais observados em vários projetos: o mais emblemático atualmente é o novo aeroporto de Berlim, que deveria estar funcionando desde 2012, mas até agora não há nenhuma previsão de quando o local ficará realmente pronto.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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