Governadores da oposição boicotam juramento na Venezuela

Enquanto 18 chavistas eleitos prestam juramento, aliança opositora MUD diz que seus cinco governadores não farão voto diante da Assembleia Constituinte, porque não a reconhecem. Maduro afirma que eles não tomarão posse.Governadores chavistas de 18 estados da Venezuela, eleitos no fim de semana passado, prestaram juramento em seus cargos nesta quarta-feira (18/10) diante da Assembleia Constituinte, controlada pelo chavismo. Já os demais cinco governadores, da oposição, se recusaram a fazer o voto.

A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) anunciou que seus candidatos eleitos não fariam o juramento porque não reconhecem a Constituinte, órgão que tomou posse em agosto e assumiu os poderes legislativos do país. Seus membros são todos governistas.

"A MUD, diante da chantagem da fraudulenta Constituinte, reitera perante o povo da Venezuela e a comunidade internacional que os governadores eleitos só se submeterão ao mandato como estabelecido na Constituição e nas leis do país", diz a aliança em nota.

O presidente Nicolás Maduro já havia alertado que os governadores só tomarão posse se fizerem o juramento perante a Assembleia Constituinte. Ele também pediu que o órgão utilize seus poderes quase ilimitados para barrar os governadores que não reconheçam sua autoridade.

Nesta quarta-feira, 18 chavistas ergueram a mão e prometeram defender a Constituição da Venezuela, ao lado de uma imagem do ex-presidente Hugo Chávez.

Durante a cerimônia, a presidente da Constituinte, Delcy Rodríguez, exaltou Maduro por ter "derrotado o império" e "dirigido as batalhas com audácia e responsabilidade, com compromisso de pátria, com consciência revolucionária".

Nas eleições regionais realizadas no domingo passado (15/10), o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente, conquistou o governo de 18 dos 23 estados do país. A oposição, que aparecia à frente nas pesquisas de opinião, denunciou o pleito como fraudulento.

"Não reconhecemos os resultados anunciados pelo CNE [Conselho Nacional Eleitoral]", afirmou na ocasião o chefe de campanha da MUD, Gerardo Blyde, sinalizando que a aliança opositora pedirá uma auditoria de todo o processo eleitoral.

O último estado a divulgar seus resultados foi o de Bolívar, nesta quarta-feira, anunciando a vitória do chavista Justo Noguera Pietri, por uma diferença de cerca de 1.400 votos. O candidato da oposição, Andres Velasquez, chegou a ficar na frente na apuração na segunda-feira. O anúncio do resultado levou manifestantes às ruas nesta quarta.

Em tese, a oposição controla dois estados a mais do que nas últimas eleições. Mas, em meio à grave crise econômica e política na Venezuela, o antichavismo dava como provável que conseguiria avançar nos estados, de modo a mostrar força antes do pleito presidencial de 2018.

Nesta quarta-feira, o líder opositor Freddy Guevara reconheceu que os resultados das eleições regionais devem provocar "uma revisão e autocrítica" por parte dos opositores. Ele convocou os antichavistas a somarem forças em prol de uma "reunificação da oposição" contra Maduro.

EK/ap/lusa/efe/ots

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