Questão financeira trava negociações do Brexit

Líderes da União Europeia consideram progressos insuficientes e adiam início de próxima fase de conversações. Merkel e Macron concordam que Londres e Bruxelas ainda estão longe de um acordo financeiro.Líderes da União Europeia (UE) se mantiveram firmes perante a primeira-ministra britânica, Theresa May, numa reunião de cúpula do bloco em Bruxelas, encerrada nesta sexta-feira (20/10), propondo iniciar a próxima fase de negociações sobre o Brexit (saída do Reino Unido do bloco) somente em dezembro.

Como esperado, os demais 27 chefes de Estado e de governo europeus concordaram que não houve progressos suficientes nas negociações sobre o Brexit para oficialmente acertar a natureza de um relacionamento futuro, adiando a decisão para uma cúpula agendada para o fim do ano.

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Os líderes, no entanto, prontamente aprovaram o início dos preparativos internos para o comércio pós-Brexit e um acordo de transição – segundo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, um trabalho que levaria as propostas do Reino Unido sobre as relações futuras em consideração.

Tusk afirmou que os relatos de que as conversações entre UE e Londres se encontravam num beco sem saída foram "exagerados".

"Minha impressão é que os relatos de impasse entre a União Europeia e o Reino Unido foram exagerados e, embora o progresso não tenha sido suficiente, isso não significa que não tenha havido nenhum avanço", disse Tusk. "Esperamos poder avançar para a segunda fase das negociações em dezembro. Precisamos de uma narrativa mais positiva."

May tem encontrado dificuldades para conter divisões em seu governo desde que perdeu a maioria parlamentar em junho e pediu aos líderes europeus, nesta quinta-feira, que a ajudem a avançar nas negociações do Brexit.

Compromissos detalhados

Nesta sexta-feira, porém, num gesto que corre o risco de ser interpretado como desfeita pela UE, May reiterou que um acordo detalhado sobre uma das questões mais delicadas, a financeira, precisa esperar.

Os líderes europeus exigem compromissos detalhados e por escrito sobre sobre a questão antes de consentir o início das negociações comerciais, temendo que a saída do Reino Unido em 2019 possa deixar um rombo no orçamento do bloco comunitário. O premiê de Luxemburgo, Xavier Bettel, advertiu: "Não vamos prorrogar o projeto indefinidamente."

Assim como Tusk, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, traçou conclusões otimistas, afirmando que depois do jantar de quinta-feira ela não viu "indício algum de que não teremos sucesso" no acordo sobre o Brexit.

Por outro lado, o presidente da França, Emmanuel Macron, advertiu que o acordo sobre uma solução financeira segue "muito distante". "Há um grande trabalho a ser feito em conjunto com o Reino Unido", afirmou. "Hoje não estamos nem na metade do caminho."

Sobre o valor a ser quitado pelo Reino Unido pelos compromissos que deixará de cumprir com sua saída, tanto Merkel como Macron admitiram que ainda há um fosso entre o que Londres propõe e o que os demais 27 Estados-membros consideram adequado.

"Estamos longe do satisfatório quanto aos compromissos financeiros", disse Macron. "Deixamos claro que não consideramos o aspecto financeiro suficiente", completou Merkel.

Num discurso feito em Florença em setembro, May prometeu manter as contribuições do Reino Unido durante dois anos após o Brexit e, desta forma, completar o atual período de orçamento da UE, totalizando cerca de 20 bilhões de euros.

Nesta semana, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, classificou a soma citada por May de "mixaria" e disse que esta deveria estar mais próxima de 50 ou 60 bilhões de euros.

O lento progresso nas negociações provocou temores de que o Reino Unido possa deixar a UE em março de 2019 sem um acordo, arriscando um caos econômico e jurídico.

Macron considerou esse tipo de especulação "um blefe" e assegurou que a primeira-ministra britânica nunca mencionou essa possibilidade. Merkel foi clara: "Eu quero muito um acordo e não uma solução imprevisível."

Além de uma solução financeira, a UE quer avançar quanto aos direitos de três milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e à questão da fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte.

PV/lusa/afp/efe

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