Estudo aponta pobreza infantil persistente na Alemanha

Uma em cada cinco crianças alemãs vive num duradouro estado de carência. Pesquisadores afirmam que filhos de pais solteiros são os mais ameaçados e exigem reconsideração de política familiar e social.Crianças afetadas pela pobreza na Alemanha muitas vezes não têm chance de escapar dessa situação, aponta um estudo divulgado pela Fundação Bertelsmann nesta segunda-feira (23/10). O levantamento aponta que 21% de todas as crianças na Alemanha vivem de forma persistente ou recorrente na pobreza, enquanto outros 10% são afetadas por um curto período.

"Aqueles que uma vez são pobres, permanecem pobres por muito tempo. Poucas famílias conseguem escapar da pobreza", disse Jörg Dräger, presidente da Fundação Bertelsmann, na apresentação do estudo.

Na Alemanha são consideradas pobres pessoas que vivem com um orçamento familiar correspondente a menos de 60% da renda líquida média no país ou que recebem benefícios sociais para subsistência.

As definições de pobreza, no entanto, são controversas. A Fundação Bertelsmann sublinhou que a pobreza na Alemanha geralmente não significa que há falta de "cuidado básico existencial" – como, por exemplo, alimentação ou moradia. Ser necessitado na Alemanha significa ser obrigado a abrir mão de muito daquilo considerado normal para outros.

Em particular, crianças carentes podem usufruir apenas de forma limitada de atividades sociais e culturais, segundo os autores do estudo. As crianças mais ameaçadas pela pobreza são as filhas de pais solteiros, com pelo menos dois irmãos ou com pais com baixa qualificação profissional.

Piores oportunidades na escola

A fim de mensurar o que falta às crianças carentes, os pesquisadores questionaram quais dos 23 bens e aspectos sociais listados carecem nas famílias por razões financeiras. Entre os 23 pontos estão, por exemplo, ir ao cinema, convidar amigos para comer em casa, computador com acesso à internet ou um residência suficientemente grande.

De acordo com o estudo, crianças em situação permanente de pobreza relataram, em média, que lhes faltam 7,3% dos bens listados. Crianças com experiências intermitentes de pobreza afirmaram que precisam abrir mão de 3,4% pontos, em média, da lista. Por outro lado, crianças que vivem permanentemente em circunstâncias seguras relataram a falta de apenas 1,3% dos 23 itens questionados.

A experiência de pobreza na infância tem um efeito negativo nas perspectivas futuras, segundo os pesquisadores. Qualquer pessoa que é pobre quando criança e não pode participar da vida social tem também visivelmente piores oportunidades na escola. E isso reduz as possibilidades de levar posteriormente uma vida adulta autossuficiente e fora da pobreza.

Bertelsmann exige nova política familiar

Dräger pleiteou a quebra da "hereditariedade" da pobreza. Isso exigiria uma mudança de paradigma na política. Como as crianças não conseguem se libertar sozinhas da pobreza, elas teriam, portanto, o direito à segurança de subsistência, que lhes daria oportunidades mais justas.

No Código Social do país, as crianças são tratadas no momento como "pequenos adultos", criticou Dräger. Ele defendeu que o foco seja garantir que as crianças "cresçam bem". Para tal, as necessidades das crianças e dos jovens deveriam ser catalogadas sistematicamente, priorizadas em ações políticas, e os até então oferecidos benefícios familiares deveriam ser reagrupados.

Para o estudo, os pesquisadores avaliaram os dados de mais de 3.100 crianças ao longo de um período de cinco anos e, desta forma, conseguiram identificar e compreender como a situação da renda nas famílias mudou durante esse período.

Risco elevado para pais solteiros

De acordo com reportagem publicada pelo diário alemão Saarbrücker Zeitung, o risco de pobreza nas famílias de mães ou pais solteiros aumentou visivelmente nos últimos anos. Em 2016, mais de 43% desse grupo populacional apresentou rendimentos baixos. Em 2005, a proporção ainda estava abaixo da marca de 40%.

Mais de um terço das famílias de pais solteiros com filhos menores de idade foi registrado como dependente da segurança social de subsistência, conhecido na Alemanha por Hartz IV. Em números absolutos, eram 606 mil famílias – quase 42 mil a mais que em 2005.

PV/dpa/kna/epd/afp

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