Mundo perdeu uma Nova Zelândia em florestas em 2016

Katharina Wecker (ca)

Maioria das florestas foi destruída por incêndios, influenciados pelas mudanças climáticas e pelo El Niño. Fogo na Amazônia brasileira e na Indonésia respondeu por um quarto da perda global de árvores.De acordo com os mais recentes dados do sistema de alerta e monitoramento de florestas Global Forest Watch (GFW), um recorde de 29,7 milhões de hectares de áreas verdes foram destruídas em 2016, o equivalente a uma área pouco maior que a da Nova Zelândia.

A maioria das florestas foi destruída por incêndios, causados ao menos em parte pelas mudanças climáticas. Estas aumentaram os riscos e a intensidade do fogo através do aumento de temperatura e da estiagem em algumas regiões.

O fenômeno climático El Niño, cuja intensidade em 2015 e 2016 foi uma das mais fortes registradas, também contribuiu para os incêndios ao provocar secas particularmente fortes nos trópicos.

Leia também: O avanço do fogo sobre o Brasil

"Nós registramos um pico dramático em 2016", informou Mikaela Weisse, analista de pesquisa do think tank americano World Resources Institute, que monitoriza a plataforma Global Forest Watch. "Isso parece estar relacionado a incêndios florestais em países como o Brasil, Indonésia e Portugal."

As chamas na Amazônia brasileira e na floresta tropical da Indonésia responderam por um quarto da perda global de árvores. No Brasil, os incêndios destruíram 3,7 milhões de hectares de cobertura vegetal – quase três vezes mais do que havia sido perdido em 2015.



No final de 2015, na Indonésia, o fogo provocou a queima de quase um milhão de hectares de árvores. Embora a maioria dos incêndios tenha varrido as florestas ainda em 2015, a subsequente perda de árvores não foi registrada até o início de 2016.

Tanques de carbono esvaziados

Os ambientalistas estão preocupados com o registrado aumento de 51% da perda global de florestas na comparação com o mesmo período em 2015.

"Os números são alarmantes", apontou Jannes Stoppel, ativista florestal no Greenpeace. "Para alcançar a meta estipulada no Acordo de Paris [de limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC], não podemos arriscar perder mais cobertura florestal – em vez disso, precisamos aumentar seu potencial de remoção de CO2."

Os incêndios florestais têm um duplo impacto negativo no meio ambiente. As árvores absorvem dióxido de carbono, tornando as florestas um escoadouro natural de CO2. Os incêndios destroem esses tanques de carbono e, ao mesmo tempo, emitem CO2 extra no ar.



Os incêndios nas florestas e áreas de turfeiras indonésias, por exemplo, lançaram tanto CO2 que fizeram da Indonésia o quarto maior emissor do mundo, ultrapassando a Rússia em apenas seis semanas.

Tudo isso pode provocar um efeito retroativo – mais incêndios significam mais carbono emitido na atmosfera, o que leva, por sua vez, a mudanças climáticas.

Sem fim à vista

Em 2017, novos recordes poderão ser quebrados. Neste ano, as chamas se alastraram por partes do sul da Europa, oeste do Canadá e EUA. Portugal, que já havia sido devastado por incêndios em 2016, quando perdeu 4% de sua cobertura florestal, foi novamente atingido por chamas mortais. O fogo provocou a morte de dezenas de pessoas em junho e novamente em outubro.

No Canadá, o fogo em áreas de florestas causou um prejuízo de 7,5 bilhões de euros (28 bilhões de reais) em 2016. Neste ano, as províncias canadenses de Alberta e British Columbia vivenciaram a pior temporada de incêndios desde o início dos registros, com a perda de mais de 1,26 milhão de hectares em meados de outubro.

Os incêndios florestais foram a principal causa da perda recorde de árvores em 2016, de acordo com Global Forest Watch. Mas a agricultura, exploração madeireira e mineração também contribuíram para esse prejuízo.

Os ambientalistas estão exortando os governos a investir mais na proteção e restauração florestal. Os governos precisam "aumentar a restauração florestal ecologicamente correta e a regeneração natural dos ecossistemas – levando a um maior armazenamento de CO2 e a mais estruturas florestais naturais resilientes ao fogo", disse Stoppel, do Greenpeace.

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