Venezuela chama credores para renegociar dívida externa

Em crise, país acumula dívida externa de 150 bilhões de dólares. Anúncio aumentou temor de calote por parte do regime chavista.O governo da Venezuela convocou nesta sexta-feira (03/11) credores estrangeiros para uma reunião em Caracas com o objetivo de reestruturar sua dívida estimada em 150 bilhões de dólares. O encontro está previsto para 13 de novembro. A convocatória imediatamente ampliou temores de um calote.

"Eu digo aos investidores em todo o mundo e aos detentores da dívida venezuelana: eu os chamo para vir a Caracas no dia 13 de novembro para iniciar um processo para refinanciar e renegociar a dívida externa", disse o chefe do governo, Nicolás Maduro.

Seu vice, Tareck El Aissami, que lidera uma comissão encarregada da reestruturação, disse que o governo está buscando "compromissos soberanos" para uma renegociação da dívida.

Ao lado dos ministros responsáveis pela economia, finanças e energia, El Aissami disse que o país começou a pagar 1,2 bilhão de dólares devidos em juros de títulos da petroleira estatal PDVSA.

El Aissami, que aparece em uma "lista negra" de funcionários venezuelanos que são alvos de sanções por parte dos Estados Unidos devido a suspeitas de vínculos com o narcotráfico, disse que as negociações com credores "estabelecerão as bases para renegociar os termos da dívida externa da República e da PDVSA".

"Começaremos uma renegociação soberana da nossa dívida e continuaremos a cumprir de forma plena e transparente, como o nosso governo fez na história", afirmou ele.

Crise

Com reservas cambiais de apenas cerca de 10 bilhões de dólares, a Venezuela acumula compromissos para 2018 que devem consumir quase todo esse valor. Tudo isso em meio a uma grave crise econômica.

De acordo com consultorias, a dívida externa de 150 bilhões de dólares do país inclui 45 bilhões em dívida pública, 45 bilhões em dívidas da PDVSA, 23 bilhões em dívidas com a China e 8 bilhões com a Rússia, entre outras obrigações. Um calote da dívida pode levar os credores a pedir o confisco de bens da PDVSA no exterior.

A economia da Venezuela vem encolhendo de forma extrema, tendo diminuindo 36% nos últimos quatro anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O país também sofre com a hiperinflação, que deve alcançar 2.300% no próximo ano. A produção de recursos primários, como o petróleo, também está em declínio por causa da falta de investimento na infraestrutura da PDVSA.

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JPS/afp

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