Checkpoint Berlim: O inverno e moradores de rua

Clarissa Neher

Estima-se que haja em Berlim cerca de 6 mil moradores de rua. Inverno congelante representa um grande risco para eles, por isso, desde 1989, iniciativa oferece ajuda aos necessitados.Não existe números concretos, mas as autoridades estimam que cerca de 6 mil pessoas moram nas ruas de Berlim. Mais da metade deles seriam de outros países da Europa. Muitos vieram para a cidade em busca de uma vida melhor ou de aventura e acabaram perdendo o rumo na capital alemã.

Dramas familiares, crise financeira, doenças psicológicas, drogas, álcool: diversos são os motivos que levam pessoas a acabar nessa situação. Durante o verão, muitos dormem em parques, bancos ou no meio da rua. Com a chegada do inverno, porém, um risco a mais surge na vida destas pessoas: a hipotermia.

Por isso, um projeto reúne iniciativas que oferecem abrigos para moradores de rua, ônibus para transportá-los até esses locais e administra cafés que ficam abertos a noite toda para receber pessoas sem teto. A temporada de trabalho da Ajuda para o Frio Berlinense começa no início de novembro e vai até 31 de março.

O projeto social, que reúne iniciativas cristãs e é coordenado em parceria com a prefeitura, presta auxílio a moradores de ruas no inverno desde 1989. Além de distribuir e manter camas em abrigos, a Ajuda para o Frio Berlinense também serve sopas, presta assessoria médica e realiza doação de roupas para os necessitados.

Com o aumento no número de moradores de rua na cidade nos últimos anos, a prefeitura elevou o investimento no programa, mas a quantidade de camas disponíveis ainda é bem menor do que o necessário. Neste ano, há espaço nestes locais para cerca de mil pessoas.

Recentemente, tem se falado numa crise moradores de rua na cidade. As prefeituras distritais tentam encontrar meios para solucionar o problema. Apesar de muitas ideias, Berlim parece estar longe de resolver essa situação e, enquanto isso não acontece, a Ajuda para o Frio Berlinense e seus voluntários continuarão tentando minimizar o frio do inverno para os moradores de rua.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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